Livro: Cartas de Um Pai À Filha que Se Droga


Especificações


Descrição

Há livros que nascem do mais fundo da carne viva não da imaginação, mas da dor real, da dor que não escolhe o momento nem o destinatário, e que só encontra alívio quando se transforma em palavra escrita. Cartas de um Pai a um Filho que se Droga, do jornalista italiano Luciano Doddoli, é precisamente isso: um documento humano de rara honestidade, uma confissão pública e sem disfarce que, ao romper com o silêncio envergonhado que tantas famílias impõem a si próprias, eleva o sofrimento privado à categoria do universal.

Doddoli é jornalista de convicção, homem habituado a escrever sobre os oprimidos do mundo. Mas quando a tragédia da dependência entra pela sua própria porta, ele faz o que os grandes espíritos fazem: não se esconde. Em vez do sigilo que a convenção social exigiria, escolhe a transparência radical. Estas cartas endereçadas directamente ao filho perdido nas brumas da heroína são, ao mesmo tempo, um grito de amor, um acto de coragem cívica e uma interpelação à sociedade que prefere olhar para o lado.

O que torna este livro verdadeiramente extraordinário é o seu tom. Doddoli não prega, não condena, não lamenta com a autocomplacência do mártir. Escreve com a lucidez dolorosa de quem sabe que o amor não é suficiente para salvar alguém, mas que a falta de amor seria um abandono indesculpável. Nessas páginas convivem a ternura e a impotência, a raiva e a compreensão, o desespero e uma teimosa recusa de desistir. A voz que fala é a de um pai que se interroga sobre as suas próprias falhas, que não foge à responsabilidade, que não projecta toda a culpa no filho nem na sociedade mas que também não se ilude sobre a crueldade de uma dependência que transforma as pessoas em sombras de si mesmas.

Publicado pelo Círculo de Leitores numa época em que o flagelo da droga começava a devastar gerações inteiras na Europa, o livro possui uma dimensão simultaneamente íntima e social que lhe confere um alcance que transcende o testemunho pessoal. Doddoli compreende que o seu filho não é uma anomalia, mas um sintoma e que a vergonha com que as famílias fecham as portas em torno do problema é, ela própria, parte do problema. Ao dizer publicamente «não me envergonho de ti», o autor pratica um acto de amor subversivo, oposto à hipocrisia social que condena quem sofre e absolve quem desvia o olhar.

Para quem atravessou ou atravessa ainda a angústia de ver um ser amado destruído pela dependência, estas cartas serão um espelho inesquecível. Para quem nunca viveu essa experiência, serão uma janela aberta sobre uma das formas mais brutais de sofrimento humano. Em qualquer caso, trata-se de uma obra que não se lê impunemente: deixa marca, obriga a pensar, recusa o consolo fácil e a resposta pronta. É, em suma, um livro necessário e a necessidade, quando expressa com tanta autenticidade e com tanta dignidade, é sempre literatura da melhor qualidade.

Preço: 4,00EUR +portes. Oferta válida at+e 30Set2026. Pagamento: mbway, spin, transferência bancária.

Livro em bom estado geral, nunca lido. Os camtos da capa, contracapa e lombada encontram-se um pouc oestragados, mas não inpedem uma leitura adequada.

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