Cangaceiros José Lins do Rego


Especificações


Descrição

CANGACEIROS
José Lins do Rego
Edição: Livros do Brasil
Páginas: 261
Dimensões: 210x150 mm
Peso: 366
TX-A026-G396-1.27PR

Exemplar em bom estado (VER FOTOS)

PREÇO:7.00EUR
Acresce portes Correio Editorial


Painel Literário: "Cangaceiros", de José Lins do Rego
Ficha Técnica
Título: Cangaceiros
Autor: José Lins do Rego (1901 1957)
Ano de Publicação Original: 1953
Chave Estética: Romance de 30 / Regionalismo Modernista Brasileiro
Edição de Referência: Livros do Brasil (Coleção Livros do Brasil)
Visão Geral e Contexto
Publicado no início da década de 1950, Cangaceiros funciona como uma espécie de sequela espiritual e aprofundamento de Pedra Bonita (1938). Afastando-se do seu célebre "Ciclo da Cana-de-Açúcar" (que imortalizou a decadência dos velhos engenhos), José Lins do Rego ruma nesta obra em direção ao sertão profundo, árido e calcinado.
O livro não é um mero relato documental sobre o banditismo do Nordeste brasileiro; é uma imersão psicológica e sociológica na engrenagem que alimentava o cangaço, o coronelismo e o messianismo fanático. Longe da idealização romântica, o autor constrói uma narrativa crua sobre homens e mulheres encurralados pela geografia, pela miséria e pela violência institucionalizada.
Estrutura e Enredo Detalhado
O romance organiza-se de forma binarista, dividindo a sua força dramática em duas grandes partes que espelham o peso do destino e a brutalidade do meio ambiente.
Parte I: A Mãe dos Cangaceiros
A narrativa abre o foco sobre a figura trágica de Sinhá Josefina, uma mãe dilacerada pelo destino dos seus filhos, que se entregaram à vida nómada e violenta do bando do temido chefe Aparício. Em fuga constante das forças volantes (a polícia da época), Josefina procura refúgio na fazenda Roqueira, propriedade de um "coiteiro" um fazendeiro local que, por medo ou conveniência política, dava abrigo e proteção aos bandoleiros.
Nesta primeira metade, o tom é de uma angústia asfixiante. Sinhá Josefina tenta desesperadamente reconstruir uma rotina de normalidade e pureza cristã para o seu filho mais novo, Bentinho, tentando mantê-lo afastado das armas. Contudo, a sombra de Aparício e a violência que orbita o bando minam a sua sanidade mental. O choque constante entre a ética da sobrevivência sertaneja e a culpa católica arrasta Josefina para um abismo de loucura que culmina no seu suicídio.
Parte II: A Sombra de Aparício e a Vingança
A segunda parte acompanha o amadurecimento forçado de Bentinho, agora órfão de mãe. O jovem apaixona-se por Alice, um vislumbre de lirismo e humanidade num cenário devastado. No entanto, o determinismo do meio impõe-se: Bentinho vê-se incapaz de escapar à teia do cangaço.
Esta secção é dominada pela escalada do conflito armado, pelos desmandos tirânicos de Aparício e pela sede implacável de vingança do Capitão Custódio. O clímax do romance faz convergir as forças do misticismo (através da figura do "Santo", um líder messiânico cujo canto e ladainhas quebram temporariamente a crueza dos guerreiros) e a inevitabilidade da destruição, onde o rifle e o facão ditam a última palavra sobre a carne.
Temáticas Principais e Análise Crítica

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