"A Concepção do Poder em Fernão Lopes" de Luís de Sousa Rebelo - 1ª Edição de 1983
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
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Descrição
"A Concepção do Poder em Fernão Lopes"
de Luís de Sousa Rebelo
1ª Edição de 1983
Livros Horizonte
Coleção Hrizonte Histórico Nº 2
152 Páginas
"A Concepção do Poder em Fernão Lopes", publicado em 1983 pelo ensaísta e professor Luís de Sousa Rebelo, é uma das obras críticas mais profundas sobre o universo ideológico do primeiro grande cronista português. Rebelo demonstra que as crónicas de Fernão Lopes não são meros registos neutros ou factuais, mas sim uma elaborada construção teórica e política destinada a legitimar a nova Dinastia de Avis após a crise de 1383 a 1385.
Rebelo decifra os códigos da alegoria política nas crónicas. Ele argumenta que Fernão Lopes constrói uma narrativa messiânica quase sagrada onde a ascensão do Mestre de Avis ao trono surge como uma vontade divina para salvar o Reino.
Um dos pontos centrais destacados pelo ensaísta é a valorização do povo no xadrez político. Ao contrário de cronistas anteriores focados apenas nos feitos da nobreza, Fernão Lopes consagra um poder que foi, na prática, instaurado e sustentado pela ação revolucionária da arraia-miúda (o povo comum e a burguesia de Lisboa). O poder legítimo, nesta ótica, ganha uma dimensão contratualista e coletiva.
Rebelo estuda a forma como o cronista constrói a autoridade e a imagem de D. João I. O líder idealizado em Fernão Lopes não governa por mero direito hereditário intocável, mas sim pela simbiose entre o seu carisma pessoal, a aprovação da comunidade e a providência divina.
---
Luís de Sousa Rebelo
[Lisboa, 1922 - S. João do Estoril/Cascais, 2010]
Formou-se em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa e fez quase toda a sua carreira académica em Inglaterra.
Leitor de Cultura Portuguesa na Universidade de Liverpool (1948-54), inaugurou os Estudos Portugueses em Dublin (1952-54), no Trinity College. Foi então convidado pelo Instituto de Alta Cultura para trabalhar com o Professor Charles Boxer no King's College, Universidade de Londres. Leitor de Estudos Portugueses nesta Universidade, é Lecturer desde 1957. Promovido a Reader em 1983. Em 1985 é director de Estudos Associado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. O título de Professor Emérito da Universidade de Londres é-lhe conferido em 1987. Nesse mesmo ano é feito Calouste Gulbenkian Senior Fellow e Professor Catedrático Visitante no King's College. É académico associado da Academia das Ciências de Lisboa e Comendador da Ordem de São Tiago da Espada.
Investigador e autor de numerosos estudos sobre personalidades fulcrais e temas das culturas portuguesa e inglesa, publicados em obras nacionais e estrangeiras, tem estudado particularmente o discurso do poder nos séculos XV e XVI, o Humanismo e o Renascimento. Autor de Shakespeare para o Nosso Tempo (1961-69, 3 vols.) e responsável pela colecção «Estudos e Ensaios» da Prelo Editora, onde publicou Camões e o Pensamento Filosófico do Seu Tempo (1979).
Em A Tradição Clássica na Literatura Portuguesa (1982), obra distinguida com o prémio da Crítica do Pen Club (1983), o autor renova o estudo das influências literárias, dando mais importância à criação individual e à dinâmica da intertextualidade na escrita do que à imitação. A contribuição mais original deste livro reside na caracterização do humanismo português, feita ao nível do discurso. Surgem aí temas de perturbante actualidade a liberdade e o poder político, a situação da mulher na sociedade portuguesa de Quinhentos, o problema do Outro, entrevisto na perspectiva da expansão marítima , reflexos, às vezes, das tensões ideológicas entre facções da classe dominante.
Em A Concepção do Poder em Fernão Lopes (1983), Sousa Rebelo analisa a problemática do discurso histórico do cronista, situando-o dentro do horizonte cultural que define a mentalidade da época. Logra, assim, explicar o plano da estrutura narrativa e decifrar os códigos da alegoria política do «evangelho português», tantas vezes admirado e só parcialmente entendido, que consagra o novo poder instaurado pela força do braço popular. Mostra que o discurso histórico, discurso da legitimidade, é também o discurso da utopia tornada possível pela acção revolucionária. Nele examina algumas questões cruciais o carisma do chefe; a autoridade messiânica e os seus efeitos na mentalidade colectiva; o papel dos franciscanos como agentes políticos inspirados pela doutrina joaquimita e pelo igualitarismo de Santo Ambrósio.
ESGOTADO NAS LIVRARIAS
BOM ESTADO - PORTES GRÁTIS
de Luís de Sousa Rebelo
1ª Edição de 1983
Livros Horizonte
Coleção Hrizonte Histórico Nº 2
152 Páginas
"A Concepção do Poder em Fernão Lopes", publicado em 1983 pelo ensaísta e professor Luís de Sousa Rebelo, é uma das obras críticas mais profundas sobre o universo ideológico do primeiro grande cronista português. Rebelo demonstra que as crónicas de Fernão Lopes não são meros registos neutros ou factuais, mas sim uma elaborada construção teórica e política destinada a legitimar a nova Dinastia de Avis após a crise de 1383 a 1385.
Rebelo decifra os códigos da alegoria política nas crónicas. Ele argumenta que Fernão Lopes constrói uma narrativa messiânica quase sagrada onde a ascensão do Mestre de Avis ao trono surge como uma vontade divina para salvar o Reino.
Um dos pontos centrais destacados pelo ensaísta é a valorização do povo no xadrez político. Ao contrário de cronistas anteriores focados apenas nos feitos da nobreza, Fernão Lopes consagra um poder que foi, na prática, instaurado e sustentado pela ação revolucionária da arraia-miúda (o povo comum e a burguesia de Lisboa). O poder legítimo, nesta ótica, ganha uma dimensão contratualista e coletiva.
Rebelo estuda a forma como o cronista constrói a autoridade e a imagem de D. João I. O líder idealizado em Fernão Lopes não governa por mero direito hereditário intocável, mas sim pela simbiose entre o seu carisma pessoal, a aprovação da comunidade e a providência divina.
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Luís de Sousa Rebelo
[Lisboa, 1922 - S. João do Estoril/Cascais, 2010]
Formou-se em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa e fez quase toda a sua carreira académica em Inglaterra.
Leitor de Cultura Portuguesa na Universidade de Liverpool (1948-54), inaugurou os Estudos Portugueses em Dublin (1952-54), no Trinity College. Foi então convidado pelo Instituto de Alta Cultura para trabalhar com o Professor Charles Boxer no King's College, Universidade de Londres. Leitor de Estudos Portugueses nesta Universidade, é Lecturer desde 1957. Promovido a Reader em 1983. Em 1985 é director de Estudos Associado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. O título de Professor Emérito da Universidade de Londres é-lhe conferido em 1987. Nesse mesmo ano é feito Calouste Gulbenkian Senior Fellow e Professor Catedrático Visitante no King's College. É académico associado da Academia das Ciências de Lisboa e Comendador da Ordem de São Tiago da Espada.
Investigador e autor de numerosos estudos sobre personalidades fulcrais e temas das culturas portuguesa e inglesa, publicados em obras nacionais e estrangeiras, tem estudado particularmente o discurso do poder nos séculos XV e XVI, o Humanismo e o Renascimento. Autor de Shakespeare para o Nosso Tempo (1961-69, 3 vols.) e responsável pela colecção «Estudos e Ensaios» da Prelo Editora, onde publicou Camões e o Pensamento Filosófico do Seu Tempo (1979).
Em A Tradição Clássica na Literatura Portuguesa (1982), obra distinguida com o prémio da Crítica do Pen Club (1983), o autor renova o estudo das influências literárias, dando mais importância à criação individual e à dinâmica da intertextualidade na escrita do que à imitação. A contribuição mais original deste livro reside na caracterização do humanismo português, feita ao nível do discurso. Surgem aí temas de perturbante actualidade a liberdade e o poder político, a situação da mulher na sociedade portuguesa de Quinhentos, o problema do Outro, entrevisto na perspectiva da expansão marítima , reflexos, às vezes, das tensões ideológicas entre facções da classe dominante.
Em A Concepção do Poder em Fernão Lopes (1983), Sousa Rebelo analisa a problemática do discurso histórico do cronista, situando-o dentro do horizonte cultural que define a mentalidade da época. Logra, assim, explicar o plano da estrutura narrativa e decifrar os códigos da alegoria política do «evangelho português», tantas vezes admirado e só parcialmente entendido, que consagra o novo poder instaurado pela força do braço popular. Mostra que o discurso histórico, discurso da legitimidade, é também o discurso da utopia tornada possível pela acção revolucionária. Nele examina algumas questões cruciais o carisma do chefe; a autoridade messiânica e os seus efeitos na mentalidade colectiva; o papel dos franciscanos como agentes políticos inspirados pela doutrina joaquimita e pelo igualitarismo de Santo Ambrósio.
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