"A Missão de Ibiapaba" de Padre António Vieira - 1ª Edição de 2006
Preço: 10 €"A Missão de Ibiapaba" de Padre António Vieira - 1ª Edição de 2006
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
- Id do anúncio43969500
- Id do anunciante13vv
Descrição
"A Missão de Ibiapaba"
de Padre António Vieira
Prefácio de Eduardo Lourenço
Posfácio de João Viegas
1ª Edição de 2006
Edições Almedina
224 Páginas
O autor de A missão de Ibiapaba, ao mesmo tempo narrador e principal actor dos acasos da evangelização numa região da América, então quase inacessível, sob jurisdição do rei de Portugal, é não apenas um missionário empenhado da Companhia de Jesus, mas um orador de excepção, uma personalidade política de primeiro plano e o mais ilustre dos escritores portugueses do seu tempo. Falo, naturalmente, de António Vieira. Ainda hoje somos sensíveis ao encantamento e ao poder da sua escrita, num texto de circunstância, desprovido de qualquer pretensão literária, contrariamente aos sermões que lhe deram reputação como pregador, em especial os que pronunciou na corte, em Lisboa, ou em Roma, perante o Papa. O interesse deste relato ultrapassa quer o quadro do testemunho histórico de um episódio, no fim de contas banal, do processo de colonização-evangelização (à época, realidades indissociáveis), quer do estatuto anacronicamente literário que lhe poderíamos facilmente reconhecer. Na verdade, o relatório da missão de Ibiapaba vale menos por aquilo que descreve ou mesmo pelo seu estilo bem moderno - marcado por uma ausência de afectação a que não são alheios uma grande lucidez e mesmo a ironia ou o humor - do que pelo tipo de olhar que António Vieira lança sobre a «questão índia».
(Do Prefácio)
---
Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o Padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, filho primogénito de um modesto casal burguês, e faleceu na Baía em 1697. Quando tinha apenas seis anos, os seus pais mudaram-se para a Baía, no Brasil, tendo aí iniciado os seus estudos. Os jesuítas tinham sido desde sempre os portadores da cultura e civilização no Brasil, com relevo especial para os Padres José de Anchieta e Manuel de Nóbrega. Assim sendo, cursou Humanidades no colégio da Companhia de Jesus, onde revelou bem cedo dotes excecionais. Aos 15 anos, motivado pela sua fé na Virgem das Maravilhas na Sé baiana e por um sermão que ouviu sobre as torturas do Inferno, Vieira teve o seu famoso "estalo" e decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Ante a oposição dos pais, Vieira fugiu de casa e prosseguiu a sua formação, em que predominavam as Humanidades Clássicas (principalmente o latim), a Filosofia e a Teologia, com especial relevo para a Sagrada Escritura. Guiado pelos pressupostos e práticas jesuíticas, que apontavam para o objetivo primordial da salvação do próximo através da pregação, exerceu a sua função evangelizadora junto dos indígenas de uma aldeia onde passou algum tempo. Todavia, cedo regressou à capital de forma a continuar a sua formação. Ao entrar no segundo ano do seu noviciado, assistiu à brusca invasão dos holandeses na Baía, tendo de refugiar-se no interior da capitania. Começara, então, a Guerra Santa entre Portugal e os inimigos de Deus, a que Vieira não ficou alheio durante mais de 25 anos.
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O autor de A missão de Ibiapaba, ao mesmo tempo narrador e principal actor dos acasos da evangelização numa região da América, então quase inacessível, sob jurisdição do rei de Portugal, é não apenas um missionário empenhado da Companhia de Jesus, mas um orador de excepção, uma personalidade política de primeiro plano e o mais ilustre dos escritores portugueses do seu tempo. Falo, naturalmente, de António Vieira. Ainda hoje somos sensíveis ao encantamento e ao poder da sua escrita, num texto de circunstância, desprovido de qualquer pretensão literária, contrariamente aos sermões que lhe deram reputação como pregador, em especial os que pronunciou na corte, em Lisboa, ou em Roma, perante o Papa. O interesse deste relato ultrapassa quer o quadro do testemunho histórico de um episódio, no fim de contas banal, do processo de colonização-evangelização (à época, realidades indissociáveis), quer do estatuto anacronicamente literário que lhe poderíamos facilmente reconhecer. Na verdade, o relatório da missão de Ibiapaba vale menos por aquilo que descreve ou mesmo pelo seu estilo bem moderno - marcado por uma ausência de afectação a que não são alheios uma grande lucidez e mesmo a ironia ou o humor - do que pelo tipo de olhar que António Vieira lança sobre a «questão índia».
(Do Prefácio)
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Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o Padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, filho primogénito de um modesto casal burguês, e faleceu na Baía em 1697. Quando tinha apenas seis anos, os seus pais mudaram-se para a Baía, no Brasil, tendo aí iniciado os seus estudos. Os jesuítas tinham sido desde sempre os portadores da cultura e civilização no Brasil, com relevo especial para os Padres José de Anchieta e Manuel de Nóbrega. Assim sendo, cursou Humanidades no colégio da Companhia de Jesus, onde revelou bem cedo dotes excecionais. Aos 15 anos, motivado pela sua fé na Virgem das Maravilhas na Sé baiana e por um sermão que ouviu sobre as torturas do Inferno, Vieira teve o seu famoso "estalo" e decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Ante a oposição dos pais, Vieira fugiu de casa e prosseguiu a sua formação, em que predominavam as Humanidades Clássicas (principalmente o latim), a Filosofia e a Teologia, com especial relevo para a Sagrada Escritura. Guiado pelos pressupostos e práticas jesuíticas, que apontavam para o objetivo primordial da salvação do próximo através da pregação, exerceu a sua função evangelizadora junto dos indígenas de uma aldeia onde passou algum tempo. Todavia, cedo regressou à capital de forma a continuar a sua formação. Ao entrar no segundo ano do seu noviciado, assistiu à brusca invasão dos holandeses na Baía, tendo de refugiar-se no interior da capitania. Começara, então, a Guerra Santa entre Portugal e os inimigos de Deus, a que Vieira não ficou alheio durante mais de 25 anos.
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