"A POESIA DE ALBERTO DE SERPA" de Alberto Serpa - Edição de 1981
Preço: 20 €"A POESIA DE ALBERTO DE SERPA" de Alberto Serpa - Edição de 1981
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
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- Id do anunciante8NN
Descrição
"A POESIA DE ALBERTO DE SERPA"
de Alberto Serpa
Prefácio de João Gaspar Simões
Desenho de António Carneiro
Edição de 1981
Edições Nova Renascença
376 Páginas
MAIS VALERA...
Baldadas, as tuas orações fervorosas,
vãs, as tuas vigílias sem cansaço,
inúteis, as tuas rugas que foram lágrimas, Mãe!
E são brancos os teus cabelos por ser negra a minha vida...
Todos os amparos pedidos para os meus passos,
todas as claridades imploradas para os meus caminhos,
todas as fontes solicitadas para as minhas sedes,
todos os vergéis requeridos para as minhas fomes,
todas as pedras com musgo seco rogadas para o meu descanso,
tudo foi trocado para a felicidade doutra Mãe
que não orou, talvez, fervorosamente,
nem vigiou noites e noites um berço, como estrela,
nem, Mãe, chorou as lágrimas que deixaram no teu rosto essa tristeza.
Para mim veio este destino errante de poeta...
Comigo, a incerteza e frouxidão contínua de passos,
a escuridão em todos os caminhos inevitáveis,
a sede para que só há fontes secas,
a fome que nenhum fruto satisfaz,
as pedras ásperas onde o corpo não pode estender-se...
Mãe, porque não me levaram os ciganos?
---
Alberto de Serpa
Poeta português, nascido a 12 de dezembro de 1906, no Porto, e falecido a 7 de outubro de 1992, na mesma cidade. Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra, tendo exercido atividades profissionais diversas, desde funções comerciais até agente de seguros. Vindo de A Águia e de Tríptico, Alberto de Serpa integra o grupo da revista Presença, de que foi secretário na segunda série, entre 1939 e 1940, e em cujas edições publicou os volumes de poesia 20 Poemas da Noite, Descrição e Varanda, os três datados de 1935. Vindo a secretariar a Revista de Portugal, Alberto de Serpa colaborou ainda em outras publicações periódicas que marcaram a poesia portuguesa nos decénios posteriores à Presença, como Cadernos de Poesia e Távola Redonda. Organizou, com José Régio, em 1957, a antologia da poesia de amor portuguesa, Alma Minha Gentil; dirigiu, com João Cabral de Melo Neto, O Cavalo de Todas as Cores, editado em 1954, em Barcelona; organizou e editou a correspondência de António Nobre a Justino de Montalvão, bem como os inéditos e dispersos de José Régio. Elo indispensável na ponte entre o primeiro e o segundo modernismos, para Fernando J. B. Martinho (Pessoa e a Moderna Poesia Portuguesa - do Orpheu a 1960 -, Lisboa, ICALP, 1983, pp. 67-69), Alberto de Serpa "foi um dos poetas do grupo [presencista] que mais sofreu os efeitos do abalo pessoano, especialmente o provocado pelos heterónimos Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, com a ajuda dos quais procede a uma recuperação do versilibrismo em Descrição, lançado pelas edições "Presença" em 1935". Subvertendo, por um certo prosaísmo promovido a domínio poético e pela liberdade métrica, o panorama do lirismo tradicional nacional, para João Gaspar Simões (SIMÕES, João Gaspar - prefácio a A Poesia de Alberto de Serpa, s/l, Nova Renascença, 1981, p. 12), a poesia de Alberto de Serpa reconcilia a palavra poética com o real, preparando, por esse motivo, o caminho para a emergência do neorrealismo, de que se aproximará por um empenhamento explícito nos volumes poéticos produzidos no contexto da Segunda Guerra Mundial, como é o caso de Drama, de 1940. Numa fase final da sua evolução poética, Alberto de Serpa recuperou a expressão métrica versificada, transparecendo, aí também, a influência de Pessoa ortónimo. O seu espólio, depositado na Biblioteca Municipal do Porto, encontra-se ainda em grande parte inédito, reunindo documentos epistolares fundamentais para reconstruir eixos de reflexão estética estabelecidos entre autores de tendências aparentemente díspares, aproximados pela amizade.
in INFOPÉDIA
ESGOTADO NAS LIVRARIAS
COM ASSINATURA DE POSSE
BOM ESTADO - PORTES GRÁTIS
de Alberto Serpa
Prefácio de João Gaspar Simões
Desenho de António Carneiro
Edição de 1981
Edições Nova Renascença
376 Páginas
MAIS VALERA...
Baldadas, as tuas orações fervorosas,
vãs, as tuas vigílias sem cansaço,
inúteis, as tuas rugas que foram lágrimas, Mãe!
E são brancos os teus cabelos por ser negra a minha vida...
Todos os amparos pedidos para os meus passos,
todas as claridades imploradas para os meus caminhos,
todas as fontes solicitadas para as minhas sedes,
todos os vergéis requeridos para as minhas fomes,
todas as pedras com musgo seco rogadas para o meu descanso,
tudo foi trocado para a felicidade doutra Mãe
que não orou, talvez, fervorosamente,
nem vigiou noites e noites um berço, como estrela,
nem, Mãe, chorou as lágrimas que deixaram no teu rosto essa tristeza.
Para mim veio este destino errante de poeta...
Comigo, a incerteza e frouxidão contínua de passos,
a escuridão em todos os caminhos inevitáveis,
a sede para que só há fontes secas,
a fome que nenhum fruto satisfaz,
as pedras ásperas onde o corpo não pode estender-se...
Mãe, porque não me levaram os ciganos?
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Alberto de Serpa
Poeta português, nascido a 12 de dezembro de 1906, no Porto, e falecido a 7 de outubro de 1992, na mesma cidade. Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra, tendo exercido atividades profissionais diversas, desde funções comerciais até agente de seguros. Vindo de A Águia e de Tríptico, Alberto de Serpa integra o grupo da revista Presença, de que foi secretário na segunda série, entre 1939 e 1940, e em cujas edições publicou os volumes de poesia 20 Poemas da Noite, Descrição e Varanda, os três datados de 1935. Vindo a secretariar a Revista de Portugal, Alberto de Serpa colaborou ainda em outras publicações periódicas que marcaram a poesia portuguesa nos decénios posteriores à Presença, como Cadernos de Poesia e Távola Redonda. Organizou, com José Régio, em 1957, a antologia da poesia de amor portuguesa, Alma Minha Gentil; dirigiu, com João Cabral de Melo Neto, O Cavalo de Todas as Cores, editado em 1954, em Barcelona; organizou e editou a correspondência de António Nobre a Justino de Montalvão, bem como os inéditos e dispersos de José Régio. Elo indispensável na ponte entre o primeiro e o segundo modernismos, para Fernando J. B. Martinho (Pessoa e a Moderna Poesia Portuguesa - do Orpheu a 1960 -, Lisboa, ICALP, 1983, pp. 67-69), Alberto de Serpa "foi um dos poetas do grupo [presencista] que mais sofreu os efeitos do abalo pessoano, especialmente o provocado pelos heterónimos Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, com a ajuda dos quais procede a uma recuperação do versilibrismo em Descrição, lançado pelas edições "Presença" em 1935". Subvertendo, por um certo prosaísmo promovido a domínio poético e pela liberdade métrica, o panorama do lirismo tradicional nacional, para João Gaspar Simões (SIMÕES, João Gaspar - prefácio a A Poesia de Alberto de Serpa, s/l, Nova Renascença, 1981, p. 12), a poesia de Alberto de Serpa reconcilia a palavra poética com o real, preparando, por esse motivo, o caminho para a emergência do neorrealismo, de que se aproximará por um empenhamento explícito nos volumes poéticos produzidos no contexto da Segunda Guerra Mundial, como é o caso de Drama, de 1940. Numa fase final da sua evolução poética, Alberto de Serpa recuperou a expressão métrica versificada, transparecendo, aí também, a influência de Pessoa ortónimo. O seu espólio, depositado na Biblioteca Municipal do Porto, encontra-se ainda em grande parte inédito, reunindo documentos epistolares fundamentais para reconstruir eixos de reflexão estética estabelecidos entre autores de tendências aparentemente díspares, aproximados pela amizade.
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