"A VIAGEM DOS SABORES" de Rui Rocha - 1ª Edição de 1998


Especificações


Descrição

"A VIAGEM DOS SABORES"
Ensaio sobre a História da alimentação (séculos IX-XIX) seguido de 100 receitas em que vários mundos se encontram.
de Rui Rocha

Obra bilingue, em português e inglês, com notas prévias de Simonetta Luz Afonso (Comissária da Secção Portuguesa na Expo 98) e de António Manuel Hespanha (Comissário Geral da Comissão nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses),

1ª Edição de 1998
Edições Inapa
208 Páginas
Dimensões: 245 x 310 x 17 mm.
Brochado
Impresso sobre papel couché.
Ilustrado com fotografias e reproduções de obras.

Os descobrimentos e a descoberta de novas plantas". Um certo purismo cultural europeu leva a criticar o hamburger e a cola, como sinais de uma (indesejada) invasão americana. Mas o português que come a sua sardinha em cima da broa, acompanhada das consabidas batatas cozidas e da salada de tomate e pimentos, enquanto verbera as novas modas alimentares, testemunha, distraído, uma outra invasão americana, que nem quinhentos anos tem: aquela que lhe trouxe o milho para a broa, a batata, o tomate e o pimento. De autóctone, afinal, só a sardinha, o azeite e o vinho." (in "A Viagem dos Sabores" de Rui Rocha) Os descobrimentos portugueses estabeleceram contactos entre a Europa e novos mundos e aumentaram os conhecimentos existentes. Os portugueses procuraram conhecer e interessar-se pela flora dos países com quem iam contactando, procurando trazer muitas plantas ou propágulos, para adaptarem a novas condições, ou simplesmente para testemunhar o descobrimento de novas terras. Desde modo, estabeleceu-se um intercâmbio fácil de plantas, quando estas apresentavam grande plasticidade ecológica, mas por vezes também difícil quando estas exigiam caracteristicas particulares de clima e solo. As condições ecológicas de Portugal e dos territórios que iam sendo descobertos ou conquistados eram diferentes, sendo natural que se levantassem problemas de adaptação das plantas a novos meios. Nesta troca de plantas, as ilhas de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe (em particular as primeiras) funcionaram como jardins de aclimatação, desempenhando um papel fulcral, e servindo de ponto de encontro ou de passagem de plantas com origens bem diferentes. Embora situadas na região tropical, as ilhas de Cabo Verde têm um clima amenizado pela latitude relativamente elevada, dispondo de condições ecológicas diferentes com o desenvolvimento da altitude. Portanto, as plantas das zonas temperadas adaptaram-se mais facilmente nestas ilhas, tendo se criado possivelmente aí formas que depois puderam ser passadas para outros locais mais quentes com menos riscos. Os navegadores que vinham da América deverão ter deixado em multiplicação, em Cabo Verde, plantas daquela região, que outra armada que se lhe seguisse levaria para o sul de África ou para a Índia e estas procediam do mesmo modo estabelecendo-se, assim um circuito na troca de plantas. Presentemente, Cabo Verde tem uma flora muito diversificada, embora as condições climáticas não sejam geralmente muito favoráveis, entrecruzando-se plantas das zonas temperadas e das zonas quentes, tirando proveito do efeito moderador da altitude. O arroz e o coqueiro passaram do Oriente para o Brasil através de Cabo Verde, e inversamente muitas espécies fruteiras brasileiras instalaram-se em Cabo Verde. São Tomé e Príncipe, com caracteristicas ecológicas diferentes, também constituiu um ponto de passagem das armadas entre o Brasil, a Costa Africana, particularmente Angola, passando ou instalando-se e prosperando em São Tomé e Príncipe, aproveitando as condições ecológicas muito favoráveis, muitas plantas que passaram de uns continentes para os outros. Exemplo disso são os inhames, as bananeiras e as especiarias vindas do Oriente a caminho do Brasil, sendo estas ilhas posteriormente as portas de introdução da cultura do cacaueiro e do cafeeiro arábica. Exemplos de plantas que nos são familiares e as quais utilizamos com frequência na nossa alimentação, mas que na realidade tiveram de percorrer uma longa viagem para chegar até nós são: o arroz, o açúcar de cana, a pimenta, a canela, o açafrão, o gengibre, o milho, a batata, o feijão e o tomate, entre outras.

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Rui Rocha, além de autor, é um empreendedor na área da restauração, estando envolvido em projetos como o In'timista Bistro e o In Flames Roast Experience. O seu trabalho foca-se em recriar a cozinha alentejana, mantendo as raízes, mas com um toque de criatividade.

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