"A VIDA DE REMBRANDT" (história a ir para onde lhe dá) de Kees Van Dongen - 1ª Edição de 2020


Especificações


Descrição

"A VIDA DE REMBRANDT"
(história a ir para onde lhe dá)
de Kees Van Dongen

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

1ª Edição de 2020
SISTEMA SOLAR
122 Páginas
Ilustrado com 25 pinturas de Rembrandt

Van Dongen foi, ele próprio, um pintor; vemo-lo hoje em museus de todo o mundo, mas bastante mais no Hermitage de São Petersburgo e no Púskine de Moscovo, e com uma permanente e generosa presença no Novo Museu de Belas Artes do Mónaco. Associamo-lo sobretudo a retratos de mulheres com olhos que um traço carbonoso sublinha na sua sensualidade insolente.

Em 1927, exteriormente a esta profusão de retratos publicou uma Vida de Rembrandt; um texto quase sempre sedutor e formalmente desarrumado (como nos é pedido enfaticamente para notarmos), confronto entre dois holandeses que pintaram até um limite de forças e em muitos dos seus passos os que falam de mulheres, dinheiro, da encomenda de retratos, da inveja maledicente dos colegas do ofício não ilude o impulso de Van Dongen se rever no biografado. Não é uma biografia, se lhe pedirmos que se ajuste às exigências da mais ortodoxa acepção desta palavra; Van Dongen entrega-se aqui à construção de uma imagem predominante sobre todas as outras que encontramos nas complexidades de um pintor e de um homem. Como Suetónio quando retratou os seus doze Césares, como os autores dos Evangelhos, detidos em episódios demonstrativos de um deus-profeta e muito menos no que foi o Cristo histórico, este é um «Rembrandt de Van Dongen» retrato de um homem que pintou até à exaustão e com uma liberdade que apenas soube colar-lhe um rótulo um pejorativo rótulo de extravagância e nunca no seu tempo compreendido como anunciador do que viriam a ser consideradas importantes conquistas formais da pintura.
Aníbal Fernandes

---
KEES VAN DONGEN
Mas há, antes de tudo isto, um holandês na Holanda; de seu nome inteiro Cornelis Theodorus Maria «Kees» van Dongen, nascido no ano 1877 em Delfshaven, pequena localidade nos arredores de Roterdão; com anos de escola e jogos de uma infância sem história, e depois um adolescente que se viu longe dos bons comportamentos da sua terra natal e a frequentar, com a desenvoltura que esta nova liberdade incitava, a Real Academia de Belas Artes de Roterdão. Cornelis praticou desde logo uma militante oposição à austeridade judaica que dava nesses dias o mais alto tom aos costumes da sociedade holandesa; e viu-se envolvido num pequeno escândalo «visual» multiplicado com a ampla divulgação do Rotterdams Nieuwsblad, que achou por bem publicar nas suas páginas uma porção de desenhos vandonguianos com mulheres do porto muito explicitamente entregues à sua vida com marinheiros de acaso. Esta Holanda de austeras moralidades não convinha ao jovem Van Dongen que só via, como seu destino previsível, o de um trabalho burocrático na fábrica de malte do seu pai; e sonhava neste desagrado com as míticas liberdades de Paris.

Van Dongen foi «fauvista» até se descobrir como um pintor de mulheres que não renegavam a orgia da cor insolente, a joie de vivre da forma, mas fazendo-o apenas até ao sábio limite admitido pelo público que adquiria essas obras. Os rostos, os corpos femininos da sua pintura sucederam-se, fizeram-se mundanos e em ruptura com os valores dos seus dias anteriores de revoltado. Van Dongen fez-se um pintor de nevroses elegantes (disse-o Paul Gsell quando falou dele), uma moda consumida pela alta burguesia, comercializada com a exibição de uma sensualidade canalha mas que o não desmentia nos seus méritos como pintor. É evidente que o olhar irónico da sua facilidade mundana nunca iludiu uma vontade firme de se exercer com uma sub-reptícia sátira social; e que a sua indiferença perante resultados visuais, que se afastavam do modelo retratado, continha prazeres vingativos contra a burguesia que o alimentava. Às que diziam «não estou parecida», respondia: Quando alguém se deixa pintar por um pintor célebre, só lhe resta uma hipótese: tornar-se parecido com o retrato.

Em 1929 Van Dongen preferiu ser francês, e obteve sem dificuldade uma nova nacionalidade; tinha vivido como um autêntico francês os tempos mais gloriosos e mundanos da sua carreira de pintor.

Vinte anos mais tarde percebeu que a gente abastada do Mónaco lhe daria a pintar muitos retratos; que viveria lá rodeado de clientes para a sua pintura. Avançava na idade sem mostrar grandes desgastes físicos, e o clima era mais ameno.

O principado venerou-o. Convidava-o para o seu palácio, mostrava-o nas suas festas, fê-lo membro de um júri no Festival de Cannes. Já muito idoso mas ainda activo, rodeado de estrelas de todos os firmamentos que não dispensavam aquele Midi na sua trajectória, pintou uma má tela com Brigitte Bardot que nunca se sujeitou a ficar - nesses anos de glória física - parecida com o seu retrato.

NOVO - PORTES GRÁTIS

Raul Ribeiro
PRO

Raul Ribeiro

Anunciante desde Abr. 2013
Tempo de resposta superior a 1 hora Online agora
Tempo de resposta superior a 1 hora Online agora

Serviços adicionais

Verifique as melhores opções de crédito ou seguro para o seu caso.


Localização

Lisboa - Cascais

Raul Ribeiro
PRO

Raul Ribeiro

Anunciante desde Abr. 2013
Tempo de resposta superior a 1 hora Online agora
Tempo de resposta superior a 1 hora Online agora