"Antologia Breve" de Eugénio de Andrade - 6ª Edição de 1994
Preço: 10 €"Antologia Breve" de Eugénio de Andrade - 6ª Edição de 1994
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
- Id do anúncio44045562
- Id do anunciante50xx
Descrição
"Antologia Breve"
de Eugénio de Andrade
6ª Edição de 1994
Editor: FUNDACAO EUGÉNIO DE ANDRADE
Coleção
Obras de Eugénio de Andrade
130 Páginas
PEQUENA ELEGIA DE SETEMBRO
Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.
Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
Dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
*
Em Antologia Poética encontramos reunidos os seguintes livros:
Primeiros Poemas; As Mãos e o Frutos; Os Amantes sem Dinheiro; As Palavras Interditas; Até Amanhã; Coração do Dia; Mar de Setembro; Ostinato Rigore; Escrita da Terra; Homenagens e Outros Epitáfios; Obscuro Domínio; Véspera da Água; Limiar dos Pássaros; Memória doutro Rio; Matéria Solar; O Peso da Sombra; Contra a Obscuridade; Vertentes do Olhar; O Outro Nome da Terra; Rente ao Dizer; Ofício de Paciência
---
Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de janeiro de 1923 no Fundão. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética. Revelou-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro. Os seus livros foram traduzidos em muitos países e ao longo da sua vida foi distinguido com inúmeros prémios, entre eles o Prémio Camões, em 2001. Morreu a 13 de junho de 2005 no Porto, cidade que o acolheu mais de metade da sua vida.
ESGOTADO NESTA EDIÇÃO
ÓPTIMO ESTADO - PORTES GRÁTIS
de Eugénio de Andrade
6ª Edição de 1994
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Obras de Eugénio de Andrade
130 Páginas
PEQUENA ELEGIA DE SETEMBRO
Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.
Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.
Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
Dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
*
Em Antologia Poética encontramos reunidos os seguintes livros:
Primeiros Poemas; As Mãos e o Frutos; Os Amantes sem Dinheiro; As Palavras Interditas; Até Amanhã; Coração do Dia; Mar de Setembro; Ostinato Rigore; Escrita da Terra; Homenagens e Outros Epitáfios; Obscuro Domínio; Véspera da Água; Limiar dos Pássaros; Memória doutro Rio; Matéria Solar; O Peso da Sombra; Contra a Obscuridade; Vertentes do Olhar; O Outro Nome da Terra; Rente ao Dizer; Ofício de Paciência
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Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de janeiro de 1923 no Fundão. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética. Revelou-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro. Os seus livros foram traduzidos em muitos países e ao longo da sua vida foi distinguido com inúmeros prémios, entre eles o Prémio Camões, em 2001. Morreu a 13 de junho de 2005 no Porto, cidade que o acolheu mais de metade da sua vida.
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