"ANTOLOGIA POÉTICA" de Gomes Leal - 1ª Edição de 1970
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
- Id do anúncio45106879
- Id do anunciante84SS
Descrição
"ANTOLOGIA POÉTICA"
de Gomes Leal
Escolha e comentário de Francisco da Cunha Leão e Alexandre O´Neill.
1ª Edição de 1970
Guimarães Editores
Coleção Poesia e Verdade
206 Páginas
A Ultima Serenada do Diabo
No tempo em que elle, nas lendas,
Era amante e cortezão,
Jogava, e tinha contendas,
Cantava assim em Milão:
..........................................
..........................................
..........................................
Ó flores meigas, ó Bellas!
Para prender os toucados,
Eu dar-vos-hia as estrellas:
- Os alfinetes dourados!
Só pelo amor quebro lanças! -
A Rainha de Navarra
Enleou um dia as tranças
No braço d'esta guitarra!
Sou um heroe perseguido!...
Mas inda ha luz nos meus rastros;
A lança que me ha ferido
Foi feita do ouro dos astros!
Mas um dia, ó bem amadas!
Eu tornaria ás alturas...
Subindo pelas escadas
Das vossas tranças escuras!
O amor que em meu peito cabe
Não conta diques, ó bellas!
Só minha guitarra o sabe,
E aquellas velhas estrellas!
Ó batalhas amorosas!
- Era d'aventuras cheia!
Ó brancas noutes saudosas
Que eu andei pela Judea!
Ó flores apetecidas!
Livros escriptos com beijos!
Ó brancas aves fugidas
Dos jardins dos meus desejos!
Não me deixeis no abandono
Ó tristes olhos leaes!
Como as pombas, no outomno,
Que abandonam os pombaes!
Que fosse eu crucificado
N'alguma bem alta Cruz!...
- E vos tivesse a meu lado,
Como vos teve Jezus!...
Esses olhos me consomem!...
Mas, Mulher, da lucta ao cabo,
Se perdeste o antigo Homem...
- Tu matarás o Diabo!
in Pág. 30 e 31
António Duarte Gomes Leal (1848 a 1921) nasceu em Lisboa. Era filho ilegítimo de um funcionário do Estado. Frequentou o Curso Superior de Letras, não chegando a terminá-lo. Ao ler as obras de Marx, Darwin, Renan e Proudhon, entusiasmou-se com o Socialismo, aproximando-se ideologicamente de Antero de Quental e Oliveira Martins. Poeta e jornalista, caiu na miséria nos últimos anos da sua vida, sobrevivendo da caridade alheia. Foi um dos fundadores do jornal O Espectro de Juvenal (1872) e do jornal O Século (1881).
ESGOTADO NAS LIVRARIAS
BOM ESTADO - PORTES GRÁTIS
de Gomes Leal
Escolha e comentário de Francisco da Cunha Leão e Alexandre O´Neill.
1ª Edição de 1970
Guimarães Editores
Coleção Poesia e Verdade
206 Páginas
A Ultima Serenada do Diabo
No tempo em que elle, nas lendas,
Era amante e cortezão,
Jogava, e tinha contendas,
Cantava assim em Milão:
..........................................
..........................................
..........................................
Ó flores meigas, ó Bellas!
Para prender os toucados,
Eu dar-vos-hia as estrellas:
- Os alfinetes dourados!
Só pelo amor quebro lanças! -
A Rainha de Navarra
Enleou um dia as tranças
No braço d'esta guitarra!
Sou um heroe perseguido!...
Mas inda ha luz nos meus rastros;
A lança que me ha ferido
Foi feita do ouro dos astros!
Mas um dia, ó bem amadas!
Eu tornaria ás alturas...
Subindo pelas escadas
Das vossas tranças escuras!
O amor que em meu peito cabe
Não conta diques, ó bellas!
Só minha guitarra o sabe,
E aquellas velhas estrellas!
Ó batalhas amorosas!
- Era d'aventuras cheia!
Ó brancas noutes saudosas
Que eu andei pela Judea!
Ó flores apetecidas!
Livros escriptos com beijos!
Ó brancas aves fugidas
Dos jardins dos meus desejos!
Não me deixeis no abandono
Ó tristes olhos leaes!
Como as pombas, no outomno,
Que abandonam os pombaes!
Que fosse eu crucificado
N'alguma bem alta Cruz!...
- E vos tivesse a meu lado,
Como vos teve Jezus!...
Esses olhos me consomem!...
Mas, Mulher, da lucta ao cabo,
Se perdeste o antigo Homem...
- Tu matarás o Diabo!
in Pág. 30 e 31
António Duarte Gomes Leal (1848 a 1921) nasceu em Lisboa. Era filho ilegítimo de um funcionário do Estado. Frequentou o Curso Superior de Letras, não chegando a terminá-lo. Ao ler as obras de Marx, Darwin, Renan e Proudhon, entusiasmou-se com o Socialismo, aproximando-se ideologicamente de Antero de Quental e Oliveira Martins. Poeta e jornalista, caiu na miséria nos últimos anos da sua vida, sobrevivendo da caridade alheia. Foi um dos fundadores do jornal O Espectro de Juvenal (1872) e do jornal O Século (1881).
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Raul Ribeiro
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Localização
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