"BALKIS" - (A Lenda Num Café) de Gérard de Nerval - 1ª Edição de 2019
Preço: 14 €"BALKIS" - (A Lenda Num Café) de Gérard de Nerval - 1ª Edição de 2019
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
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- Id do anunciante21EE
Descrição
"BALKIS" - (A Lenda Num Café)
de Gérard de Nerval
Tradução e Apresentação de Aníbal Fernandes
1ª Edição de 2019
SISTEMA SOLAR
128 Páginas
Balkis, a nascida do fogo, como os muçulmanos lhe chamam Rainha de Sabá, como aparece na tradição cristã.
Salomão reinou durante quarenta anos. E já entrava, dizem-nos contas por alto, na sua idade madura quando foi visitado por Balkis, a rainha de Sabá.
Com esta rainha, a nebulosa histórica ainda mais espessa se mostra. Temos, para este encontro, palavras da Bíblia e do Corão que chegam para ignorarmos se o reino de Sabá está hoje ocupado pelo Iémen ou pela Etiópia; para nos surpreendermos com a dilatada cultura de uma mulher, numa época em que o sexo feminino era arredado de um saber considerado exclusiva aquisição dos homens.
Balkis deslocou-se a Jerusalém, seguida por um pomposo séquito e camelos vergados com o peso de ofertas ao poderoso rei. Ia fazer de Esfinge; tentaria embaraçar a destreza de Salomão com enigmas que escapassem às malhas da sua cultura. E a mesquinhez deste propósito, posta ao lado do esforço e do incómodo que uma tal viagem exigiria, pode surpreender-nos se não lhe acrescentarmos outras intenções que a tradição de textos orientais lhe atribuem. A Bíblia e o Corão divergem nos pormenores da sua visita. A verdade histórica (se alguma existir neste episódio) prefere admitir que Balkis, seduzida pela fama da inteligência e da cultura de Salomão, se deslocou a Jerusalém com o propósito de dar um pai com grandes qualidades genéticas a um filho seu, futuro rei de Sabá. E poderia haver nesta estratégia de acasalamento outras motivações. O rei de Israel descendia de Adão e Eva, feitos a partir do barro pelo Eloin Jeová, a raça que mais poder tinha naquela extensão da terra. E Balkis pertencia a uma outra humanidade nascida do fogo, mais nobre neste elemento básico do corpo mas menos bem sucedida no poder terreno. A conjunção destas duas origens garantiria um mestiço com qualidades humanas ímpares e capazes de garantir uma inegável supremacia ao reino de Sabá.
Gérard de Nerval, num dos seus momentos literários de ficção em prosa mais logrados, não permite nenhum êxito a esta heteróclita fusão genética; pede ajuda à imaginação livre dos contadores orientais de histórias para construir uma narrativa que concentra no discurso elementos de grande parte das tradições, sagradas e profanas, ligadas a este episódio.
Aníbal Fernandes
---
Escritor francês, Gérard de Nerval (1808 a 1855) assumiu a literatura como um projecto existencial e nele, como em poucos, literatura e vida confundem-se e ligam-se intimamente, cabendo à literatura o papel de transcender o real. O essencial da sua obra foi publicado nos últimos anos de vida do autor: Voyage en Orient (1851), Les Illuminés (1852), Les Filles du feu (1851) e Aurélia (1855).
*
Nerval pretende fazer-nos crer que a escutou ao longo de duas semanas de Ramadão num café de Constantinopla, e que assim soube da estranha relação entre Salomão e Balkis, construída e imaginada a partir de textos centrais e menos centrais das tradições cristãs e muçulmanas.
Foi este Gérard de Nerval ameaçado pela fome, com a indiferença dos seus amigos, num pleno vazio de sentimentos de amizade, frequentado por «teomanias» cada vez mais persistentes, pela realidade fictícia das suas próprias invenções, que na muito fria noite de 25 para 26 de Janeiro de 1855 se dirigiu à rua de La Vieille-Lanterne e bateu tardiamente à porta de uma casa de passe para pedir abrigo. A sua gerente, já desembaraçada dos últimos clientes, já com as suas pupilas a dormir, recusou-se a atendê-lo.
Nerval seguiu então o conselho supremo do seu desespero. Havia ali a dois passos a convidativa trave horizontal de um gradeamento, à frente da parede onde costumava grasnar «o corvo da rainha de Sabá». Com um pedaço de corda que trazia no bolso, enforcou-se.
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NOVO - PORTES GRÁTIS
de Gérard de Nerval
Tradução e Apresentação de Aníbal Fernandes
1ª Edição de 2019
SISTEMA SOLAR
128 Páginas
Balkis, a nascida do fogo, como os muçulmanos lhe chamam Rainha de Sabá, como aparece na tradição cristã.
Salomão reinou durante quarenta anos. E já entrava, dizem-nos contas por alto, na sua idade madura quando foi visitado por Balkis, a rainha de Sabá.
Com esta rainha, a nebulosa histórica ainda mais espessa se mostra. Temos, para este encontro, palavras da Bíblia e do Corão que chegam para ignorarmos se o reino de Sabá está hoje ocupado pelo Iémen ou pela Etiópia; para nos surpreendermos com a dilatada cultura de uma mulher, numa época em que o sexo feminino era arredado de um saber considerado exclusiva aquisição dos homens.
Balkis deslocou-se a Jerusalém, seguida por um pomposo séquito e camelos vergados com o peso de ofertas ao poderoso rei. Ia fazer de Esfinge; tentaria embaraçar a destreza de Salomão com enigmas que escapassem às malhas da sua cultura. E a mesquinhez deste propósito, posta ao lado do esforço e do incómodo que uma tal viagem exigiria, pode surpreender-nos se não lhe acrescentarmos outras intenções que a tradição de textos orientais lhe atribuem. A Bíblia e o Corão divergem nos pormenores da sua visita. A verdade histórica (se alguma existir neste episódio) prefere admitir que Balkis, seduzida pela fama da inteligência e da cultura de Salomão, se deslocou a Jerusalém com o propósito de dar um pai com grandes qualidades genéticas a um filho seu, futuro rei de Sabá. E poderia haver nesta estratégia de acasalamento outras motivações. O rei de Israel descendia de Adão e Eva, feitos a partir do barro pelo Eloin Jeová, a raça que mais poder tinha naquela extensão da terra. E Balkis pertencia a uma outra humanidade nascida do fogo, mais nobre neste elemento básico do corpo mas menos bem sucedida no poder terreno. A conjunção destas duas origens garantiria um mestiço com qualidades humanas ímpares e capazes de garantir uma inegável supremacia ao reino de Sabá.
Gérard de Nerval, num dos seus momentos literários de ficção em prosa mais logrados, não permite nenhum êxito a esta heteróclita fusão genética; pede ajuda à imaginação livre dos contadores orientais de histórias para construir uma narrativa que concentra no discurso elementos de grande parte das tradições, sagradas e profanas, ligadas a este episódio.
Aníbal Fernandes
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Escritor francês, Gérard de Nerval (1808 a 1855) assumiu a literatura como um projecto existencial e nele, como em poucos, literatura e vida confundem-se e ligam-se intimamente, cabendo à literatura o papel de transcender o real. O essencial da sua obra foi publicado nos últimos anos de vida do autor: Voyage en Orient (1851), Les Illuminés (1852), Les Filles du feu (1851) e Aurélia (1855).
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Nerval pretende fazer-nos crer que a escutou ao longo de duas semanas de Ramadão num café de Constantinopla, e que assim soube da estranha relação entre Salomão e Balkis, construída e imaginada a partir de textos centrais e menos centrais das tradições cristãs e muçulmanas.
Foi este Gérard de Nerval ameaçado pela fome, com a indiferença dos seus amigos, num pleno vazio de sentimentos de amizade, frequentado por «teomanias» cada vez mais persistentes, pela realidade fictícia das suas próprias invenções, que na muito fria noite de 25 para 26 de Janeiro de 1855 se dirigiu à rua de La Vieille-Lanterne e bateu tardiamente à porta de uma casa de passe para pedir abrigo. A sua gerente, já desembaraçada dos últimos clientes, já com as suas pupilas a dormir, recusou-se a atendê-lo.
Nerval seguiu então o conselho supremo do seu desespero. Havia ali a dois passos a convidativa trave horizontal de um gradeamento, à frente da parede onde costumava grasnar «o corvo da rainha de Sabá». Com um pedaço de corda que trazia no bolso, enforcou-se.
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