"JUNOT EM PORTUGAL" - Evocação Histórica de Mário Domingues - 1ª Edição de 1972


Especificações


Descrição

"JUNOT EM PORTUGAL"
Evocação Histórica
Mário Domingues

1ª Edição de 1972
Edições Romano Torres
Coleção Série Lusíada
472 Páginas

Jean-Andoche Junot, 1.° Duque de Abrantes (Bussy-le-Grand, 25 de setembro de 1771 Montbard, 29 de julho de 1813), chamado de "a Tempestade", foi um militar francês, coronel-general dos Hussardos.

Portugal, então governado pela Casa de Bragança e sob a regência do príncipe D. João, recusava o pedido de Napoleão de participar no bloqueio comercial à Inglaterra. A 12 de Agosto Napoleão e o rei Carlos IV de Espanha solicitaram ao príncipe João que declarasse guerra à Inglaterra. Entretanto, os exércitos de Napoleão marchavam na fronteira com Espanha. Nesse contexto, em 1807, no comando do Corpo de Observação da Gironda, Junot comandou a invasão de Portugal, saindo em novembro de Salamanca, entrando em Portugal a 17 de novembro por Segura, na Beira Baixa, capturando Lisboa no dia 30 desse mês ou nos primórdios de dezembro.

Indicado como governador-geral de Portugal, foi duque de Abrantes em março de 1808. Os ingleses desembarcaram em Portugal em agosto de 1808 e, diante da ofensiva de Arthur Wellesley (depois duque de Wellington), que bateu as tropas francesas na batalha da Roliça (17 de agosto) e na batalha do Vimeiro (21 de agosto), Junot propôs aos ingleses um armistício que lhe permitiu a retirada: a Convenção de Sintra, assinada a 30 de agosto. Na retirada, levou com ele todas as "armas e bagagens" que pôde, tornando famosa essa expressão em Portugal. Levado pela Royal Navy para a França, quase não escapava à corte marcial. Em 1810 voltou à Península Ibérica com as tropas do marechal André Masséna (terceira invasão francesa), sendo gravemente ferido.

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"Mário Domingues nasceu na Ilha do Príncipe, numa roça denominada "Infante D. Henrique". Contando apenas dezoito meses de idade, trouxeram-no para Portugal e confiaram-no a sua avó paterna, que se encarregou da sua educação. Fez seus estudos em Lisboa, revelando desde muito novo vocação para as Artes e para as Letras. Contrariado, enveredou pela carreira do Comércio, chegando a ser ajudante de guarda-livros e correspondente de Inglês e de Francês.

Mas consagrava todos os seus ócios ao estudo de problemas literários e artísticos. Aos dezassete anos publicou as primeiras tentativas de ficção numa efémera revista de estudantes de Medicina (a "Alba"), apresentada pelo doutor Júlio Dantas. Aos dezanove, porém, o seu nome começou a surgir com frequência a assinar contos e crónicas num jornal diário de Lisboa. E em breve se tornou jornalista profissional, ascendendo a Chefe de Redacção e director de alguns jornais.

Como crítico de Pintura, nos anos Vinte, distinguiu-se pelo ardor com que defendeu os Modernistas, então desdenhados pela opinião pública. Unindo-se a Fernando Pessoa, José Bocheko, Vítor Falcão, António Ferro e outros batalhadores pela renovação da arte em Portugal, teve a coragem de proclamar o excepcional valor de "proscritos" como Almada Negreiros, Eduardo Viana, António Soares, Jorge Barradas e Lino António.

Um dos momentos decisivos da vida de Mário Domingues ocorreu quando ele resolveu manter-se unicamente com o produto dos seus livros. Esta audácia custou-lhe o ter de dissimular-se sob diversos pseudónimos estrangeiros, com os quais assinou mais de uma centena de romances policiais e de aventuras extraordinárias.

Durou alguns anos este trabalho árduo, mas o escritor queria voar um pouco mais alto. Conhecendo os homens do seu tempo, abalançou-se a descrever os de outrora, tal como os visionou no "clima" social, político e religioso em que viveram. E assim nasceu esta "Série Lusíada", que atingiu um êxito invulgar para o nosso meio.

Em atenção ao valor da sua obra de divulgação histórica, dignou-se o senhor Presidente da República agraciá-lo com o grau de Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, destinada a distinguir individualidades de relevo nas Ciências, nas Artes e nas Letras."

"Mário Domingues, escritor, editor, publicista, jornalista, historiador, mas sobretudo anarquista, de seu nome completo Mário José Domingues, é para muitos leitores um ilustre desconhecido.
A exuberância e pujança da sua pena foi tal durante a sua vida que a sua obra em muito ultrapassa a de Camilo Castelo Branco, conhecido como o nosso escritor mais prolífico.
Da História ao romance policial, da novela de aventuras à ficção histórica, do jornalismo político à tradução, Mário Domingues merece ser relembrado."

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