"Legenda do Cidadão Miguel Lino" de Miguel Franco - 1ª Edição de 1973 - AUTOGRAFADO


Especificações


Descrição

"Legenda do Cidadão Miguel Lino"
de Miguel Franco

Com dedicatória e autógrafo do Autor

Prefácio de Miguel Franco

1ª Edição de 1973
Editorial Inova
Coleção Teatro Para as Quatro Estações - Dirigida por Egito Gonçalves
140 Páginas

A acção desenrola-se em 1807 na altura da 1.ª invasão de Portugal pelas tropas francesas numa cidade do centro de Portugal e seus arredores.

Os esbirros do Governador local interrompem uma reunião clandestina do «Farol da Liberdade», sociedade secreta que procura implantar dentro da velha monarquia portuguesa as grandes ideias da Revolução Francesa, mas os conspiradores conseguem escapar-se. Em casa do Bispo, o Governador informa-o da chegada iminente dos invasores franceses. O Bispo procura resistir, lutar contra «esta gentalha de hereges e libertinos». Mas os revolucionários recebem a notícia da chegada dos franceses com sincero entusiasmo. O Bispo decide ocultar os tesouros das igrejas da cidade dentro de velhos túmulos, convencido de que os franceses não ousarão «profanar» estes lugares sagrados e convence o Coronel a confiar-lhe as armas do seu regimento, pois que ele as esconderá podendo, mais tarde, virem a ser utilizadas na defesa da Igreja e da Fé, isto é, de tudo aquilo que deve ser preservado acima de todas as coisas.
Miguel Lino, conhecido pelas suas ideias revolucionárias, é preso e, atrás das grades da prisão, ensina a Cecílio, o cego, a tocar «A Marselhesa» na sua ocarina e canta-a em francês em voz baixa. Na praça pública o abade exorta a multidão contra os invasores, «os filhos da horrível Revolução» e aponta Miguel Lino como traidor. Mas este é libertado por ordens superiores: a sociedade secreta foi considerada como um partido legal. No seio do «Farol da Liberdade» Miguel Lino opõe-se ao seu principal adversário, o Dr. Godinho, oportunista e bem falante, que pretende ir junto do general francês para receber dele os necessários poderes. É
decidido aceitar o convite do Bispo para uma reunião a realizar em sua casa Juntamente com o Governador e o Coronel. A reacção procura agora obter os favores
do seu «inimigo mortal», já que o não pode bater. O abade Inácio ensinou a um coro feminino da igreja o refrão da «Marselhesa». Tudo isto desgosta profundamente Miguel Lino; quando vem a saber que estão escondidas armas dentro da Igreja, decide esperar os franceses de igual para igual: se uns estão armados, os outros também o estarão. Mas os exércitos do Império já deixaram ficar para trás a Revolução e os nobres princípios que a inspiravam. Miguel Lino e os seus companheiros serão esmagados sem que ninguém tenha compreendido a justiça e a pureza da sua posição.

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Miguel Franco (Leiria, 1918 1988) foi um actor, encenador e dramaturgo português.

Miguel Franco desenvolveu o teatro na sua cidade natal, através da recriação do Grupo de Teatro Miguel Leitão, de que foi diretor e encenador. A partir de 1950, com a apresentação, por todo o país, da peça Tá-Mar, de Alfredo Cortez, o Grupo de Teatro Miguel Leitão passa a destacar-se na dinâmica do teatro amador em Portugal, sendo ainda de destacar a divulgação das obras de Gil Vicente, um pouco por todo o país. Depois, ainda com Franco como encenador, o Grupo montou a peça de Bernardo Santareno, O Duelo, cuja estreia seria impedida pela censura.

Sobre o Grupo Miguel Leitão e Miguel Franco assinala-se ainda o facto de levar o teatro para fora das salas habituais, criando representações ao ar livre, e em festivais de verão, começando pela sua região, onde recriou ao modo vicentino A Farsa de Inês Pereira, apresentada no Castelo de Leiria, no claustro do Mosteiro de Alcobaça e no Convento de Cristo, em Tomar.

Como dramaturgo, Miguel Franco é considerado o mais importante da década de 1970, na categoria da chamada Dramaturgia Histórica, segundo a História do Teatro em Portugal, de Luiz Francisco Rebello. Da sua obra fazem parte O Motim, A Legenda do Cidadão Miguel Lino, O Capitão de Navios, Visita Muito Breve, tendo deixado várias obras por terminar, de que se destaca Leonor Fonseca Pimentel.

Ator de cinema a partir da década de 1960, participou em cerca de dez películas, nomeadamente Crime de Aldeia Velha (1963), O Trigo e o Joio (1964) e Lotação Esgotada (1972), de Manuel de Guimarães, Domingo à Tarde (1966), de António de Macedo, O Cerco (1970) e Vidas (1984), de António da Cunha Telles, A Fuga (1976), de Luís Filipe Rocha, O Rei das Berlengas (1978), de Artur Semedo, e Manhã Submersa (1980), de Lauro António.

Ainda em Leiria, criou no Ateneu Desportivo de Leiria, de que era igualmente diretor, um espaço de conferências a que chamou Sexta-feira à Noite, no qual intervieram entre outros Bernardo Santareno, Rogério Paulo ou Luiz Francisco Rebello. A edilidade local viria a atribuir o seu nome ao Teatro Miguel Franco, equipamento cultural construído em 2003, nas instalações do velho Mercado de Sant'Ana.

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