"LIVRO DE COZINHA DA INFANTA D. MARIA" * Códice Português I. E. 33. da Biblioteca Nacional de Nápoles - 1ª Edição de 1986


Especificações


Descrição

"LIVRO DE COZINHA DA INFANTA D. MARIA"
Códice Português I. E. 33. da Biblioteca Nacional de Nápoles

Prólogo, leitura, notas aos textos, glossários e índice de Giacinto Manuppella

1ª Edição de 1986
INCM - Imprensa Nacional - Casa da Moeda
Coleção Biblioteca de Autores Portugueses
258 Páginas

O Livro de Cozinha da Infanta D. Maria é o manuscrito I-E-33 da Biblioteca Nacional de Nápoles. Teria pertencido a uma Infanta portuguesa de cultura notável: a Infanta D. Maria de Portugal, filha de D. Duarte (1515/1540) duque de Guimar;es, neta do rei D. Manuel e sobrinha de D. Jo;o III. Moça letrada e culta, lida em grego e latim, que ao casar-se com Alexandre Farnésio (duque de Parma, Placêncio e Castro), vai, em 1565, morar em Parma. O manuscrito que teria sido levado para a Itália pela Infanta, faz parte de um grupo de cinco tomos de origem farnesiana, doaç;o vinda da familia Farnésio. Consta de setenta e quatro fólios, divididos em quatro cadernos com setenta e quatro receitas. Um códice que, apesar dos problemas paleográficos e cronológicos que apresenta, é deveras valioso, contribuindo n;o só para o vocabulário histórico da linguagem nacional, como também mostrando um lado importante da vida social que é a arte de cozinhar e bem comer, numa época da história nacional portuguesa de que muito pouco se conhece e cujo mais antigo documento de receitas culinárias publicado n;o é anterior a 1680, que é A Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues. O Livro de Cozinha da Infanta D. Maria é composto de 67 receitas distribuidas em quatro cadernos e mais seis receitas avulsas que n;o tratam especificamente de culinária, mas de receitas diversas de uso doméstico. O primeiro caderno é o Caderno dos manjares de carne com 26 receitas (numeradas de 4 à 29); o segundo, Caderno dos manjares de ovos, com 4 receitas (numeradas de 30 à 33); em seguida encontra-se o Caderno dos manjares de leite com 7 receitas (numeradas de 34 à 40); e, finalmente, o Caderno das cousas de conserva com 24 receitas (numeradas de 41 à 64). Excerto de um escrito de Celina Márcia de Souza Abbade

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O "Livro de Cozinha da Infanta D. Maria de Portugal" é o mais antigo manuscrito de cozinha em português até agora conhecido.

Filha do infante D. Duarte e neta do rei D. Manuel II, a Infanta D. Maria de Portugal (1538 1577) casou com Alexandre Farnese, Duque de Parma e Piacenza em 1565. Ao deixar Portugal, a Infanta D. Maria terá levado consigo uma série de pertences, no qual se incluía um manuscrito de cozinha com 73 folhas, encadernado em carneira.

O livro de cozinha reúne 67 receitas que se expandem ao longo de quatro cadernos: "Caderno dos Manjares da Carne", "Caderno dos Manjares de Leite", "Caderno dos Manjares de Ovos" e "Caderno das Cousas de Conservas", mas inclui também receitas de foro medicinal e outras.

Nestas receitas está patente o cariz medieval da cozinha portuguesa da época, onde se elaboram vários pratos de carne, aves e caça, mas também de peixe, ovos, leite, frutas, sobremesas e conservas. Destaca-se a prevalência do uso do açúcar e das especiarias, que à data ainda eram um bem escasso e luxuoso.

Com esta edição do Livro de Cozinha da Infanta D. Maria, pretendemos dar a conhecer uma interpretação original deste manuscrito medieval, adaptada à linguagem moderna mas respeitando os pesos, ingredientes e técnicas de cozinha originais.

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