"MARIA DO CÉU" (Cartas de Marcelo) de Júlio Brandão - 3ª Edição de 1923


Especificações


Descrição

"MARIA DO CÉU" (Cartas de Marcelo)
de Júlio Brandão

3ª Edição de 1923
Livraria Chardron, de Lelo & Irmão
186 Páginas
Encadernação editorial

"É numa solidão religiosa, entre montanhas que me apraz escrever àcêrca de Marcelo, o autor das Cartas que dou a lume. Faço-o com amor. (...
Dir-se-ia que sou um velho escrevendo memórias. Antes o fôra, que mais perscuta e sabe o olhar dos velhos. Nem tampouco o era o autor destas Cartas, redolentes do aroma de flores que não se estiolam."
(Prólogo)

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Júlio Brandão
Escritor e poeta português, Júlio Brandão nasceu em 1869, no concelho de Vila Nova de Famalicão, tendo ido viver, já na juventude, para a cidade do Porto onde fez o curso liceal.
Dedicando-se ao jornalismo, foi exercendo, ao longo da vida, atividades complementares ao seu trabalho intelectual.

Poeta simbolista, o autor respeita as regras desta estética literária, nomeadamente no que respeita à "liberdade do ritmo", ao recurso ao verso alexandrino (12 sílabas métricas), à diversidade estrófica, às aliterações, à rima rica, à diversidade e riqueza vocabular, refletindo a sua produção poética preocupações estéticas e formais, próprias da geração literária em que se enquadra.

Prestigiado no meio literário, Júlio Brandão teve uma participação importante nos periódicos veiculadores da estética simbolista.
A publicação de O Livro de Aglaís, em 1892, desencadeou uma profunda polémica nos circuitos literários, fundamentalmente devido ao uso do verso alexandrino e à temática. Desenvolvendo opiniões favoráveis e desfavoráveis a Júlio Brandão, esta tertúlia vai originar um conjunto de posições de que destacamos a de Trindade Coelho: "livro que me dá, entre os seus camaradas, a fresca, viçosa e perfumada sensação de um lírio em jarra de oiro, nesse livro que é um encanto, um mimo de simplicidade e de ternura, sentido com vivo afeto e executado com uma arte refinadíssima, aí o amor humano abre à luz do sol?".

Sendo também um contista conceituado, a sua obra narrativa é caracterizada por descrições plásticas associadas a uma harmonia formal perfeita, refletindo a influência simultânea das estéticas naturalista e parnasiana. É disto exemplo o seu livro Farmácia Pires que nos fala do Porto burguês, das festividades populares associadas à cidade, dos passeios dominicais que fazem parte dos hábitos desta cidade e das suas mundanidades.

Em 1899, em colaboração com Raul Brandão, escreve o texto dramático A Noite de Natal, que foi representado, no mesmo ano, no Teatro D. Maria II, em Lisboa.

Editou entre outros, os seguintes títulos: Os Nefelibatas, 1891 (em coautoria com Raul Brandão e Justino de Montalvão); O Livro de Aglaís - 1892; Saudades - 1893; O Jardim da Morte e Mistério da Rosa - 1898; Nuvem de Oiro - 1912; Cantares - 1920; Farmácia Pires - conto; O Moço Frade dos Mitos; O Sonho do Capucho; Mendigos; Por Causa de um Cravo Branco.

Júlio Brandão faleceu em 1947.

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