"Moçambique - 7 de Setembro" de Clotilde Mesquitela - 1ª Edição de 1977
Preço: 50 €"Moçambique - 7 de Setembro" de Clotilde Mesquitela - 1ª Edição de 1977
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
- Id do anúncio44807730
- Id do anunciante61LL
Descrição
"Moçambique - 7 de Setembro"
Memórias da Revolução
de Clotilde Mesquitela
1ª Edição de 1977
Edições "A RUA"
262 Páginas
Fotografias a preto e branco em extratexto
Passam-se os dias
Os dias e as noites iam se passando, sempre com atos de heroísmo e determinação no sentido de ninguém abandonar o seu posto.
O estar nas ruas, nas Antenas cercando com a massa humana os pontos vitais, era para mim o pior de todos os lugares. Essas pessoas é que foram os heróis da revolução, aqueles que esperavam sem nada poderem fazer.
A vida tem seus caminhos, é preciso escolher o nosso, de norte a sul todos queríamos estar no certo. O que tínhamos escolhido era o da dignidade de um povo, que não podendo ser Português, queria apenas a liberdade de escolher o seu destino.
O que sempre me espantou foi a forma como todos estávamos unidos. Era o Hino Nacional que se continuava a cantar, era a Bandeira Nacional que continuava hasteada na mão de milhares de pessoas, mesmo quando todos já queríamos um Moçambique Livre e Independente.
Ainda hoje me orgulho de ter-me revoltado contra Portugal Continental. Foi o maior momento de Patriotismo que jamais foi dado poder viver-se.
Moçambique estava a ser extraordinário ao levantar-se contra a decisão da Metrópole, de entregar Moçambique e o Ultramar aos comunistas.
Por Clotilde Mesquitela
Da contra-capa:
"O 7 de Setembro foi o dia mais longo da nossa história. Setenta e duas horas vividas em plenitude da esperança e da angustia, na euforia da vitória e no sombrio desespero da derrota, da derrota de Portugal vitoriado até no assombro pelas vozes de pretos e de brancos, defendido até à exaustão pela exaltação de pretos e brancos.
Na densidade desse arranque e na agonia dessas lágrimas, foi também o derradeiro abraço da Nação - daqui partia para o exílio e da que ficava como permanente penhor de fidelidade e de sofrimento.
Este livro contém a cronologia dos acontecimentos que iluminaram e obscureceram essas horas: o seu Te Deum e o seu Requiem. Como num ritual litúrgico nele se oficia a alegria e a tristeza, a efusão e a dor, a esperança e o exílio. Homens, mulheres e crianças, pretos, mestiços, indianos, novos e velhos, iluminados de fé ou crispados de ódio, condensaram Portugal numa multidão paramentada para um destino trágico. Os antigos soldados envergaram os seus camuflados, as crianças vestiram-se de branco para festejar o amor que os tornou vigilantes e a indignação que os tornou ferozes.
Ao fim de setenta e duas horas, as mães arrebataram os filhos, os maridos correram ao lados das mulheres e procuraram à margem do país que os rejeitava o sacrifício que o redimisse."
---
Clotilde Hermínia Rodrigues da Gama Pinto da Costa de Sousa de Macedo Mesquitela, nasceu a 19Abr1924 em Moura.
Em 1954, casada com o advogado Gonçalo Castel-Branco da Costa de Sousa de Macedo Mesquitela, sendo já Mãe de quatro filhos nascidos em Lisboa, foi com a família para Moçambique, inicialmente a residir na cidade da Beira, e a partir do início da década de 1960 radicados na Matola (Lourenço Marques).
Desde 1962 até 1966, exerceu o cargo de presidente provincial do MNF, tendo em 16Nov64 sido agraciada com a Comenda da Ordem de Benemerência.
Seu fiho João Afonso cumpriu serviço militar em Moçambique, inicialmente em 1972 no CICav/RMM (Vila Pery) e depois como voluntário nos GEP (Dondo), onde se manteve até pouco depois de 07Set74.
Após a convulsão político-militar ocorrida em Moçambique na sequência do "Acordo de Lusaca", a família Macedo Mesquitela (Clotilde, seu marido e os nove filhos) foi forçada a refugiar-se na vizinha África do Sul, e dali em Janeiro de 1975 exilou-se no Brasil.
A autora não mais pisou solo português, até falecer a 26Jan2006 em Teresópolis (Rio de Janeiro).
ESGOTADO E MUITO RARO NESTA 1ª EDIÇÃO
BOM ESTADO - PORTES GRÁTIS
Memórias da Revolução
de Clotilde Mesquitela
1ª Edição de 1977
Edições "A RUA"
262 Páginas
Fotografias a preto e branco em extratexto
Passam-se os dias
Os dias e as noites iam se passando, sempre com atos de heroísmo e determinação no sentido de ninguém abandonar o seu posto.
O estar nas ruas, nas Antenas cercando com a massa humana os pontos vitais, era para mim o pior de todos os lugares. Essas pessoas é que foram os heróis da revolução, aqueles que esperavam sem nada poderem fazer.
A vida tem seus caminhos, é preciso escolher o nosso, de norte a sul todos queríamos estar no certo. O que tínhamos escolhido era o da dignidade de um povo, que não podendo ser Português, queria apenas a liberdade de escolher o seu destino.
O que sempre me espantou foi a forma como todos estávamos unidos. Era o Hino Nacional que se continuava a cantar, era a Bandeira Nacional que continuava hasteada na mão de milhares de pessoas, mesmo quando todos já queríamos um Moçambique Livre e Independente.
Ainda hoje me orgulho de ter-me revoltado contra Portugal Continental. Foi o maior momento de Patriotismo que jamais foi dado poder viver-se.
Moçambique estava a ser extraordinário ao levantar-se contra a decisão da Metrópole, de entregar Moçambique e o Ultramar aos comunistas.
Por Clotilde Mesquitela
Da contra-capa:
"O 7 de Setembro foi o dia mais longo da nossa história. Setenta e duas horas vividas em plenitude da esperança e da angustia, na euforia da vitória e no sombrio desespero da derrota, da derrota de Portugal vitoriado até no assombro pelas vozes de pretos e de brancos, defendido até à exaustão pela exaltação de pretos e brancos.
Na densidade desse arranque e na agonia dessas lágrimas, foi também o derradeiro abraço da Nação - daqui partia para o exílio e da que ficava como permanente penhor de fidelidade e de sofrimento.
Este livro contém a cronologia dos acontecimentos que iluminaram e obscureceram essas horas: o seu Te Deum e o seu Requiem. Como num ritual litúrgico nele se oficia a alegria e a tristeza, a efusão e a dor, a esperança e o exílio. Homens, mulheres e crianças, pretos, mestiços, indianos, novos e velhos, iluminados de fé ou crispados de ódio, condensaram Portugal numa multidão paramentada para um destino trágico. Os antigos soldados envergaram os seus camuflados, as crianças vestiram-se de branco para festejar o amor que os tornou vigilantes e a indignação que os tornou ferozes.
Ao fim de setenta e duas horas, as mães arrebataram os filhos, os maridos correram ao lados das mulheres e procuraram à margem do país que os rejeitava o sacrifício que o redimisse."
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Clotilde Hermínia Rodrigues da Gama Pinto da Costa de Sousa de Macedo Mesquitela, nasceu a 19Abr1924 em Moura.
Em 1954, casada com o advogado Gonçalo Castel-Branco da Costa de Sousa de Macedo Mesquitela, sendo já Mãe de quatro filhos nascidos em Lisboa, foi com a família para Moçambique, inicialmente a residir na cidade da Beira, e a partir do início da década de 1960 radicados na Matola (Lourenço Marques).
Desde 1962 até 1966, exerceu o cargo de presidente provincial do MNF, tendo em 16Nov64 sido agraciada com a Comenda da Ordem de Benemerência.
Seu fiho João Afonso cumpriu serviço militar em Moçambique, inicialmente em 1972 no CICav/RMM (Vila Pery) e depois como voluntário nos GEP (Dondo), onde se manteve até pouco depois de 07Set74.
Após a convulsão político-militar ocorrida em Moçambique na sequência do "Acordo de Lusaca", a família Macedo Mesquitela (Clotilde, seu marido e os nove filhos) foi forçada a refugiar-se na vizinha África do Sul, e dali em Janeiro de 1975 exilou-se no Brasil.
A autora não mais pisou solo português, até falecer a 26Jan2006 em Teresópolis (Rio de Janeiro).
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Raul Ribeiro
Anunciante desde Abr. 2013
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