"MONTEDEMO" de Hélia Correia - 1ª Edição de 1983
Preço: 15 €"MONTEDEMO" de Hélia Correia - 1ª Edição de 1983
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
- Id do anúncio44834472
- Id do anunciante39MM
Descrição
"MONTEDEMO"
de Hélia Correia
1ª Edição de 1983
ULMEIRO
Coleção Imagem do Corpo Nº 7
54 Páginas
Mais tarde alguns lembraram que tudo começou naquele Domingo seco em que a terra tremeu. Coisa sem importância, num instante seco sentida noutro instante acalmada, nem mesmo Irene a tonta pensou que lhe servisse de mote em pregação. Um tremor ligeirinho no afrouxar da noite, hora de moribundos e de bêbedos, todos pensando que se balouçavam em líquidos maternos, quentes e protectores. Os outros, muito poucos, que estavam acordados: mulheres suspensas do tossir das crias, velhos apunhalados por insónias, tinham ficado em dúvida se fora realmente o chão que se ondeara numa sacudidela ou se tontura provocada por um sangue de repente engrossado ao de cima dos olhos.
A novela Montedemo (1983), de Hélia Correia, escritora portuguesa, retrata o universo feminino de uma região litoral e explorada pelo turismo em Portugal. O enredo inicia com um abalo, um tremor na região durante o inverno. A protagonista Milena, moça que vivia com uma tia conservadora, engravida, sai de casa, e se isola da comunidade ao encontrar acolhimento em um casebre à beira-mar onde morava Irene, a tonta, como lhe chamavam. Irene tem uma conexão primitiva com a natureza, e vivia da mendicância aos veraneantes. O contraste entre tradição religiosa, primitivismo e turismo sazonal resulta em uma complexa paisagem figurada na presença do Montedemo, ou monte S. Jorge, conforme rebatismo católico. A partir da análise do exílio das personagens femininas Irene e Milena, evidencia-se uma crítica à racionalidade moderna, bem como às formas de ocultamento de forças opostas, seja representadas pela questão feminina, religiosa ou histórica. Dessa forma, e a partir do conceito de ruínas de Maria Zambrano e de história de Walter Benjamin, entre outros, pretendemos construir uma leitura que sobreleve a presença de uma outra religiosidade, silenciada, que se expressa em ritos, cada vez mais escassos, como revela a narrativa, mas que sobrevivem, pois sempre retornam.
---
Hélia Correia
Escritora portuguesa contemporânea (1949), licenciou-se em Filologia Românica e é professora de Português do Ensino Secundário. Apesar do seu gosto pela poesia, é como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 1980, embora os seus contos, novelas ou romances estejam sempre impregnados do discurso poético.
Estreou-se na poesia com O Separar das Águas, em 1981, e O Número dos Vivos, em 1982.
A novela Montedemo, encenada pelo grupo O Bando, dá à autora uma certa notoriedade. Aliás, Hélia Correia revelou, desde cedo, o gosto pelo teatro e pela Grécia clássica, o que a levou a representar em Édipo Rei e a escrever Perdição, levadas à cena, em 1993, pela Comuna. Escreveu também Florbela, em 1991, que viria a ser encenada pelo grupo Maizum.
Destacam-se ainda na sua produção os romances Casa Eterna e Soma e, na poesia, A Pequena Morte/Esse Eterno Conto.
Recebeu em 2002 o prémio PEN 2001, atribuído a obras de ficção, pela sua obra Lillias Fraser.
Venceu o prémio literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa com o livro de poesia A Terceira Miséria.
Foi galardoada com o Prémio Camões, em 2015.
ESGOTADO NAS LIVRARIAS
ÓPTIMO ESTADO - PORTES GRÁTIS
de Hélia Correia
1ª Edição de 1983
ULMEIRO
Coleção Imagem do Corpo Nº 7
54 Páginas
Mais tarde alguns lembraram que tudo começou naquele Domingo seco em que a terra tremeu. Coisa sem importância, num instante seco sentida noutro instante acalmada, nem mesmo Irene a tonta pensou que lhe servisse de mote em pregação. Um tremor ligeirinho no afrouxar da noite, hora de moribundos e de bêbedos, todos pensando que se balouçavam em líquidos maternos, quentes e protectores. Os outros, muito poucos, que estavam acordados: mulheres suspensas do tossir das crias, velhos apunhalados por insónias, tinham ficado em dúvida se fora realmente o chão que se ondeara numa sacudidela ou se tontura provocada por um sangue de repente engrossado ao de cima dos olhos.
A novela Montedemo (1983), de Hélia Correia, escritora portuguesa, retrata o universo feminino de uma região litoral e explorada pelo turismo em Portugal. O enredo inicia com um abalo, um tremor na região durante o inverno. A protagonista Milena, moça que vivia com uma tia conservadora, engravida, sai de casa, e se isola da comunidade ao encontrar acolhimento em um casebre à beira-mar onde morava Irene, a tonta, como lhe chamavam. Irene tem uma conexão primitiva com a natureza, e vivia da mendicância aos veraneantes. O contraste entre tradição religiosa, primitivismo e turismo sazonal resulta em uma complexa paisagem figurada na presença do Montedemo, ou monte S. Jorge, conforme rebatismo católico. A partir da análise do exílio das personagens femininas Irene e Milena, evidencia-se uma crítica à racionalidade moderna, bem como às formas de ocultamento de forças opostas, seja representadas pela questão feminina, religiosa ou histórica. Dessa forma, e a partir do conceito de ruínas de Maria Zambrano e de história de Walter Benjamin, entre outros, pretendemos construir uma leitura que sobreleve a presença de uma outra religiosidade, silenciada, que se expressa em ritos, cada vez mais escassos, como revela a narrativa, mas que sobrevivem, pois sempre retornam.
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Hélia Correia
Escritora portuguesa contemporânea (1949), licenciou-se em Filologia Românica e é professora de Português do Ensino Secundário. Apesar do seu gosto pela poesia, é como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 1980, embora os seus contos, novelas ou romances estejam sempre impregnados do discurso poético.
Estreou-se na poesia com O Separar das Águas, em 1981, e O Número dos Vivos, em 1982.
A novela Montedemo, encenada pelo grupo O Bando, dá à autora uma certa notoriedade. Aliás, Hélia Correia revelou, desde cedo, o gosto pelo teatro e pela Grécia clássica, o que a levou a representar em Édipo Rei e a escrever Perdição, levadas à cena, em 1993, pela Comuna. Escreveu também Florbela, em 1991, que viria a ser encenada pelo grupo Maizum.
Destacam-se ainda na sua produção os romances Casa Eterna e Soma e, na poesia, A Pequena Morte/Esse Eterno Conto.
Recebeu em 2002 o prémio PEN 2001, atribuído a obras de ficção, pela sua obra Lillias Fraser.
Venceu o prémio literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa com o livro de poesia A Terceira Miséria.
Foi galardoada com o Prémio Camões, em 2015.
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Anunciante desde Abr. 2013
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