"O CANTO E AS ARMAS" de Manuel Alegre - 1ª Edição Conjunta de 1989
Preço: 12 €"O CANTO E AS ARMAS" de Manuel Alegre - 1ª Edição Conjunta de 1989
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
- Id do anúncio44738047
- Id do anunciante99JJ
Descrição
"O CANTO E AS ARMAS"
de Manuel Alegre
Apresentação de João de Melo
1ª Edição Conjunta de 1989 de:
- Praça da Canção
- O Canto e as Armas
- Um Barco para Ítaca
- Letras
- Coisas Amar.
346 Páginas
Publicações Dom Quixote
TROVA DO VENTO QUE PASSA
Para António Portugal
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(Portugal à flor das águas)
vi minha trova florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre, in 'Praça da Canção'
---
Manuel Alegre
Nasceu a 12 de maio de 1936, em Águeda. Estudou Direito, na Universidade de Coimbra, onde participou ativamente nas lutas académicas. Enquanto cumpria o serviço militar em Angola, tomou parte na primeira tentativa de rebelião contra a guerra colonial, o que o levou a ser preso pela PIDE e, consequentemente, exilado em Argel.
Em 1964, exilou-se em França, onde continuou a luta pela democracia e pela justiça social. Após o 25 de abril de 1974, Manuel Alegre regressou a Portugal e envolveu-se ativamente na vida política, tornando-se uma figura proeminente do Partido Socialista.
A sua poesia, influenciada pelas suas vivências, aborda temas como a liberdade, a resistência, a solidariedade e a esperança.
ESGOTADO NESTA EDIÇÃO
COMO NOVO - PORTES GRÁTIS
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Para António Portugal
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(Portugal à flor das águas)
vi minha trova florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre, in 'Praça da Canção'
---
Manuel Alegre
Nasceu a 12 de maio de 1936, em Águeda. Estudou Direito, na Universidade de Coimbra, onde participou ativamente nas lutas académicas. Enquanto cumpria o serviço militar em Angola, tomou parte na primeira tentativa de rebelião contra a guerra colonial, o que o levou a ser preso pela PIDE e, consequentemente, exilado em Argel.
Em 1964, exilou-se em França, onde continuou a luta pela democracia e pela justiça social. Após o 25 de abril de 1974, Manuel Alegre regressou a Portugal e envolveu-se ativamente na vida política, tornando-se uma figura proeminente do Partido Socialista.
A sua poesia, influenciada pelas suas vivências, aborda temas como a liberdade, a resistência, a solidariedade e a esperança.
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Localização
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