"O Infante D. Henrique" - O Homem e sua Época - Evocação Histórica de Mário Domingues- 2ª Edição de 1965


Especificações


Descrição

"O Infante D. Henrique"
O Homem e sua Época - Evocação Histórica
de Mário Domingues

2ª Edição de 1965
Livraria Romano Torres
390 Páginas

A verdade é que a Humanidade marchava em determinado sentido antes do aparecimento desse enigmático filho de D. João I e, depois da sua morte, ficou a mover-se numa direcção absolutamente oposta. A propósito dos acontecimentos mais comezinhos, usa-se e abusa-se do lugar-comum «viragem da História»; mas se este termo tiver alguma vez aplicação flagrante em seu significado, será na acção exercida pelo Infante D. Henrique na História do Mundo.

Foi o Infante D. Henrique o primeiro homem que, vencendo o poder imenso da superstição medieval e desafiando corajosamente os terrores que a lenda atribuía ao «Verde Mar das Trevas», começou a levantar o espesso véu que, desde a noite dos tempos, ocultava o grande oceano misterioso. Pacientemente, como um cientista dos nossos dias, foi arrancando ao desconhecido, elemento após elemento, pormenor sobre pormenor, e aliando-os, com inexcedível prudência, a toda a ciência astronómica até então acumulada, à arte de navegar e ao conhecimento do Mundo, foi colhendo, aos poucos, uma imagem concreta do Globo, fixando-a em mapas rigorosos e registando-a em relatórios precisos, os primeiros documentos pelos quais se tornou possível navegar com segurança e sem hesitação. Cada viagem que, por sua ordem e orientação, se realizava, era um pedaço de esfera terrestre que ficava desvendado para sempre, um caminho que nunca mais se apagaria. E assim foi nascendo rapidamente, mais maravilhoso do que fantástico, o verdadeiro Mundo para a Humanidade.

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"Mário Domingues nasceu na Ilha do Príncipe, numa roça denominada "Infante D. Henrique". Contando apenas dezoito meses de idade, trouxeram-no para Portugal e confiaram-no a sua avó paterna, que se encarregou da sua educação. Fez seus estudos em Lisboa, revelando desde muito novo vocação para as Artes e para as Letras. Contrariado, enveredou pela carreira do Comércio, chegando a ser ajudante de guarda-livros e correspondente de Inglês e de Francês.

Mas consagrava todos os seus ócios ao estudo de problemas literários e artísticos. Aos dezassete anos publicou as primeiras tentativas de ficção numa efémera revista de estudantes de Medicina (a "Alba"), apresentada pelo doutor Júlio Dantas. Aos dezanove, porém, o seu nome começou a surgir com frequência a assinar contos e crónicas num jornal diário de Lisboa. E em breve se tornou jornalista profissional, ascendendo a Chefe de Redacção e director de alguns jornais.

Como crítico de Pintura, nos anos Vinte, distinguiu-se pelo ardor com que defendeu os Modernistas, então desdenhados pela opinião pública. Unindo-se a Fernando Pessoa, José Bocheko, Vítor Falcão, António Ferro e outros batalhadores pela renovação da arte em Portugal, teve a coragem de proclamar o excepcional valor de "proscritos" como Almada Negreiros, Eduardo Viana, António Soares, Jorge Barradas e Lino António.

Um dos momentos decisivos da vida de Mário Domingues ocorreu quando ele resolveu manter-se unicamente com o produto dos seus livros. Esta audácia custou-lhe o ter de dissimular-se sob diversos pseudónimos estrangeiros, com os quais assinou mais de uma centena de romances policiais e de aventuras extraordinárias.

Durou alguns anos este trabalho árduo, mas o escritor queria voar um pouco mais alto. Conhecendo os homens do seu tempo, abalançou-se a descrever os de outrora, tal como os visionou no "clima" social, político e religioso em que viveram. E assim nasceu esta "Série Lusíada", que atingiu um êxito invulgar para o nosso meio.

Em atenção ao valor da sua obra de divulgação histórica, dignou-se o senhor Presidente da República agraciá-lo com o grau de Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, destinada a distinguir individualidades de relevo nas Ciências, nas Artes e nas Letras."

"Mário Domingues, escritor, editor, publicista, jornalista, historiador, mas sobretudo anarquista, de seu nome completo Mário José Domingues, é para muitos leitores um ilustre desconhecido.
A exuberância e pujança da sua pena foi tal durante a sua vida que a sua obra em muito ultrapassa a de Camilo Castelo Branco, conhecido como o nosso escritor mais prolífico.
Da História ao romance policial, da novela de aventuras à ficção histórica, do jornalismo político à tradução, Mário Domingues merece ser relembrado."

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