"O Nosso Hóspede" / "A Saque" de Joe Orton - 1ª Edição de 2004


Especificações


Descrição

"O Nosso Hóspede" / "A Saque"
de Joe Orton

1ª Edição de 2004
ARTISTAS UNIDOS
Coleção Livrinhos de Teatro Nº 5
212 Páginas

O NOSSO HÓSPEDE (Entertaining Mr. Sloane) de Joe Orton
Tradução Manuel João Gomes Com Lia Gama , Nuno Melo , Carlos Gonçalves e Cláudio da Silva Cenografia e figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Som Paulo Curado Encenação Manuel João Aguas

Estreia Teatro Taborda, 15 de Abril de 2004

O texto, juntamente com A SAQUE, está publicado nos LIVRINHOS DE TEATRO, Volume 5 dos Artistas Unidos.

Uma comédia negra, muito negra, muito cómica, com sexo, morte, desejo, uma dentadura postiça, o mundo carnavalesco, sórdido, hilariante de um dos maiores inventores do teatro contemporâneo.
Um rapaz atrevido aluga um quarto em casa de dois irmãos que a solidão e o tempo isolaram. Mas ninguém sai indemne deste encontro

ED Eu quero ter uma conversa privada com a minha irmã.
SLOANE Vai correr tudo bem?
ED Bom talvez.
SLOANE Eu ficarei agradecido.
ED Ficarás?
SLOANE Eternamente.
ED. Eternamente não, rapaz. Alguns anos apenas. (Dá uma palmada no ombro de SLOANE. SLOANE sai.) Qual vai ser a história?
KATH. Como tu disseste. Ele caiu das escadas abaixo.
in Joe Orton, O NOSSO HÓSPEDE

ENTERTAINING MR. SLOANE estreou em Portugal em 1976 (com o título ESTE ESTRANHO AMOR) no Teatro Monumental com Laura Alves, Paulo Renato, Luís Filipe e Carlos Quintas, numa encenação de Varela Silva. A tradução de Manuel João Gomes que apresentamos esteve na base do espectáculo do Teatro da Graça, com o título BEM-VINDO, SR. SLOANE com encenação e interpretação de Carlos Fernando, espectáculo que contava ainda com os actores Maria José, Filipe Domingues e António Montês.
*
Para Joe Orton, nada era sagrado; mas a fúria dos seus ataques, a sua peculiar combinação de alegria e horror, não estava isenta de um motivo espiritual mais abrangente. Orton queria chocar a sociedade e ao mesmo tempo purificá-la. No palco, as suas personagens são animais em acção. E, assim que se vê a fera que existe em cada homem, então a tolerância pode mais facilmente substituir o bem... Ao mostrar como nos destruímos a nós próprios, as peças de Orton também fazem parte de uma táctica de sobrevivência. Ele faz-nos rir para nos fazer aprender. Há uma salvação qualquer nisto.

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Joe Orton (1933 a 1967) Dramaturgo britânico.
John Kingsley Orton cresceu nos Saffron Lane Estates em Leicester, uma cidade industrial das Midlands. Depois de deixar a escola aos dezasseis anos, nunca manteve um emprego por muito tempo e voltou-se para os grupos de teatro amadores. Em 1950 conseguiu entrar para a RADA (The Royal Academy of Dramatic Art) com o apoio de uma bolsa da Câmara de Leicester onde conheceu Kenneth Halliwell, que viria a ter uma influência decisiva na sua vida futura.
Depois de 1957 Joe Orton produzia principalmente trabalhos seus, embora demorasse mais uma meia dúzia de anos a descobrir a sua voz autêntica.
A conjunta existência claustrofóbica teve uma crise em Maio de 1962 quando Orton e Halliwell foram acusados de danificar malevolamente 83 livros e arrancar 1653 ilustrações de livros de bibliotecas. Desde 1959 que, com a ajuda de Halliwell, Orton roubava livros de bibliotecas públicas, retirando imagens e usando-as para compor colagens bizarras, organizadas por Halliwell, que cobriam as paredes do quarto deles. A actividade era essencialmente uma prática subversiva e uma espécie de resposta pueril dirigida a um mundo literário que excluía Orton, apesar de, como Orton disse, "todo o lixo que era publicado". A prisão confirmou o ponto de vista que Orton tinha sobre a sociedade - "A puta velha da sociedade levantou as saias, e o fedor foi nauseabundo" - mas de algumas maneiras a experiência deve ter ajudado: "Estar na prisa", disse Orton, "trouxe distanciamento à minha escrita. Subitamente eu já não me envolvia, e a coisa funcionava". A BBC aceitou a versão radiofónica da peça "The Ruffian On The Stair", e ele começou a trabalhar numa peça maior, "Entertaining Mr. Sloane", o seu primeiro triunfo. As suas peças ("Loot", "The Good" e "Faithful Servant") conhecem enormes triunfos em Londres e na Europa.
Joe Orton morreu assassinado em 1967, tendo deixado inédita "Pelo Buraco da Fechadura".

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