"O ÚLTIMO ESPECTÁCULO" de Manuel do Nascimento - 1ª Edição de 1955


Especificações


Descrição

"O ÚLTIMO ESPECTÁCULO"
de Manuel do Nascimento

Capa de Manuel Ribeiro de Pavia

1ª Edição de 1955
Sociedade de Expansão Cultural
Coleção SEC
150 Páginas

«Estas histórias de «O Último Espectáculo», arrancadas aqui e além, no calcurriar da terra portuguesa que tem sido a minha vida, não saíram trajadas à maneira do local onde aconteceram. Não falo em campos de neve, em planícies alentejanas, em latadas do Minho, em águas azuis da costa algarvia. Sofrendo como homem e com a vida dos homens preocupado, esqueço sempre o que me rodeia. Posso falar de um monte, de uma árvore, dum bocado de terra crestado pelo sol mas quando a coisa sai parece vertida ao contrário. Vejo sempre a paisagem como reflexo de sentimentos.
Se pinto a tristeza das pedras, se esqueço o verde gritante dos campos e se às vezes um raio de sol ilumina o mundo dos meus heróis, tento logo afogá-lo no escuro duma nuvem. Isto sem premeditação. É a própria vida, que anda a apagar o brilho dos melhores sonhos, nos olhos da esperança.»

in Algumas Palavras

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Manuel do Nascimento Correia (27 de Dezembro de 1912, Monchique 30 de Dezembro 1966, Lisboa), escritor, jornalista, ficcionista, fotógrafo e editor português. Por ser filho de burgueses (José Nicolau Correia, comerciante de madeiras, e Fernanda Correia) teve a oportunidade de prosseguir estudos, nomeadamente de Química, na Escola Técnica de Lisboa, de onde saiu já técnico de engenharia. Assim que terminou os seus estudos, ingressou no mundo laboral, começando por trabalhar numa mina. Foi a partir daí que tomou consciência das situações em que viviam os trabalhadores, tendo essa consciência transformado toda a sua escrita. Quando se viu com a saúde fragilizada pela dureza, abandonou o emprego e regressou a casa para recuperar, começando então a escrever.

Reflectiu na ficção o universo profissional seu conhecido, como no caso do romance Mineiros, de O Aço Mudou de Têmpera, uma crónica romanceada sobre a vida dos pesquisadores de volfrâmio, ou de Histórias de Mineiros. Escritor próximo do neorrealismo na sua primeira fase, estreou-se com Eu Queria Viver!, revelando uma capacidade de coordenar qualidades de observação, colocadas ao serviço de preocupações sociais, com a imaginação romanesca.

Conviveu com grandes personalidades do século XX, como Fernando Namora, Aquilino Ribeiro, José Régio, Manuel da Fonseca, e manteve também algumas ligações com o movimento Presença. Foi um importante autor português do neorrealismo e por se ter dedicado ao ofício da escrita durante o regime Salazarista foi alvo de perseguição política, tendo sido censurado e preso.

Manuel do Nascimento veio por fim a falecer durante uma viagem de comboio, a caminho de Lisboa, em 31 de dezembro de 1966.

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