"OBRAS DE NICOLAU TOLENTINO DE ALMEIDA" - 1ª Edição de 1968 Numerada - Prefãcio de Alexandre O'Neill
Preço: 50 €"OBRAS DE NICOLAU TOLENTINO DE ALMEIDA" - 1ª Edição de 1968 Numerada - Prefãcio de Alexandre O'Neill
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoCascais
- FreguesiaCarcavelos e Parede
- Id do anúncio45397497
- Id do anunciante79XX
Descrição
"OBRAS DE NICOLAU TOLENTINO DE ALMEIDA"
Prefãcio de Alexandre O'Neill com o título "Uma Arte do Pormenor ou um Preâmbulo para Desatentos".
Desenhos de Nogueira da Silva
1ª Edição de 1968 Numerada
Editorial Estúdios Cor
Coleção Ronda
XII + 382 Páginas
Dimensões; 185 x 255 x 30 mm.
Encadernação editorial gravada a ouro na pasta anterior e na lombada, com relevo seco e estampagem.
Exemplar nº 716 de uma tiragem de 1.000 exemplares impressos sobre papel vergé e batonné.
Profusamente ilustrado no corpo do texto.
Esta obra reúne a poesia satírica e do quotidiano do célebre poeta setecentista português.
Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.
A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»
- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,
Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!
---
Nicolau Tolentino de Almeida
Filho de um advogado da Casa da Suplicação, frequentou largos anos a Universidade de Coimbra sem nunca terminar o curso de Direito.
Em 1767, obteve carta de professor régio de Retórica e de Poética e dedicou-se ao magistério durante largos anos. Todavia, esta profissão depressa o enfastiou e procurou então, por vários meios, ingressar numa carreira burocrática.
Em 1870, foi então nomeado oficial praticante, sem vencimento, da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino e, três anos depois, ascendeu a oficial ordinário da mesma Secretaria.
Tolentino queixou-se amarga e frequentemente da sua penúria financeira, o que lhe valeu o apodo de Poeta Pedinchão, uma vez que nem dinheiro tinha para enterrar um mísero cavalo.
Chegou, no entanto, a ser nomeado cavaleiro fidalgo da Casa Real com uma tença, entrar para sócio da Academia das Ciências e imprimir as suas obras à custa do Estado.
Numa publicação anual da tipografia Rollandiana é que apareceram, entre 1779 e 1783, impressas anonimamente, pela primeira vez, composições de Nicolau Tolentino de Almeida.
Todavia, só em 1801, reunirá ele, em dois pequenos tomos, as suas Obras Poéticas. Anos depois foram publicadas novas edições da mesma obra a que se acresceu um terceiro volume intitulado Obras Póstumas.
A edição das suas obras de 1861, organizada por José Torres, inclui algumas gravuras da autoria de Nogueira da Silva. A sua obra contempla diversas composições - sonetos, odes, cartas e sátiras.
Estas últimas celebrizaram-no a ponto de ele hoje representar, na história literária portuguesa, o papel de "o satírico".
Todavia, as suas sátiras afastam-se das características habituais do género, uma vez que se revestem de um pendor humorista desprovido do intuito de estigmatizar vícios ou defeitos pessoais.
Apresentava-se como um espectador atento da realidade circundante, procurando matéria pitoresca para reproduzir e transfigurar, pelo que nos deixou nos seus sonetos, nos seus memoriais e, sobretudo, nas suas sátiras, crónicas de costumes que preludiavam já uma literatura percorrida por uma galeria de tipos, ao estilo da "comédia humana" que outros autores desenvolveriam mais tarde.
ESGOTADO NAS LIVRARIAS
COM ASSINATURA DE POSSE NA FOLHA DE ANTERROSTO
ÓPTIMO ESTADO - PORTES GRÁTIS
Prefãcio de Alexandre O'Neill com o título "Uma Arte do Pormenor ou um Preâmbulo para Desatentos".
Desenhos de Nogueira da Silva
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XII + 382 Páginas
Dimensões; 185 x 255 x 30 mm.
Encadernação editorial gravada a ouro na pasta anterior e na lombada, com relevo seco e estampagem.
Exemplar nº 716 de uma tiragem de 1.000 exemplares impressos sobre papel vergé e batonné.
Profusamente ilustrado no corpo do texto.
Esta obra reúne a poesia satírica e do quotidiano do célebre poeta setecentista português.
Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.
A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»
- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,
Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!
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Nicolau Tolentino de Almeida
Filho de um advogado da Casa da Suplicação, frequentou largos anos a Universidade de Coimbra sem nunca terminar o curso de Direito.
Em 1767, obteve carta de professor régio de Retórica e de Poética e dedicou-se ao magistério durante largos anos. Todavia, esta profissão depressa o enfastiou e procurou então, por vários meios, ingressar numa carreira burocrática.
Em 1870, foi então nomeado oficial praticante, sem vencimento, da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino e, três anos depois, ascendeu a oficial ordinário da mesma Secretaria.
Tolentino queixou-se amarga e frequentemente da sua penúria financeira, o que lhe valeu o apodo de Poeta Pedinchão, uma vez que nem dinheiro tinha para enterrar um mísero cavalo.
Chegou, no entanto, a ser nomeado cavaleiro fidalgo da Casa Real com uma tença, entrar para sócio da Academia das Ciências e imprimir as suas obras à custa do Estado.
Numa publicação anual da tipografia Rollandiana é que apareceram, entre 1779 e 1783, impressas anonimamente, pela primeira vez, composições de Nicolau Tolentino de Almeida.
Todavia, só em 1801, reunirá ele, em dois pequenos tomos, as suas Obras Poéticas. Anos depois foram publicadas novas edições da mesma obra a que se acresceu um terceiro volume intitulado Obras Póstumas.
A edição das suas obras de 1861, organizada por José Torres, inclui algumas gravuras da autoria de Nogueira da Silva. A sua obra contempla diversas composições - sonetos, odes, cartas e sátiras.
Estas últimas celebrizaram-no a ponto de ele hoje representar, na história literária portuguesa, o papel de "o satírico".
Todavia, as suas sátiras afastam-se das características habituais do género, uma vez que se revestem de um pendor humorista desprovido do intuito de estigmatizar vícios ou defeitos pessoais.
Apresentava-se como um espectador atento da realidade circundante, procurando matéria pitoresca para reproduzir e transfigurar, pelo que nos deixou nos seus sonetos, nos seus memoriais e, sobretudo, nas suas sátiras, crónicas de costumes que preludiavam já uma literatura percorrida por uma galeria de tipos, ao estilo da "comédia humana" que outros autores desenvolveriam mais tarde.
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Raul Ribeiro
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