"SÃO MORTAS AS FLORES" de Maria do Céu Guerra - 1ª Edição de 1963


Especificações


Descrição

"SÃO MORTAS AS FLORES"
de Maria do Céu Guerra

1ª Edição de 1963
Distribuição da Editorial Organizações
Coleção Antológica Best-Sellers
32 Páginas

O livro "São Mortas as Flores" é a primeira obra publicada pela renomada atriz portuguesa Maria do Céu Guerra, lançada originalmente em 1963. Trata-se de uma obra de poesia que marcou o início da sua trajetória pública, antes de se tornar uma figura central no teatro e cinema em Portugal.

A obra é descrita como contendo textos "profundos e fortes", com uma beleza inerente que explora temas como a morte, o abandono e o desespero. Um dos poemas mais conhecidos incluídos neste volume é "Requiem para Godot". Embora a própria atriz tenha mencionado em entrevistas que o livro não é necessariamente uma "boa memória" pessoal, ele permanece um item de grande valor para colecionadores de literatura portuguesa contemporânea.

REQUIEM PARA GODOT

Hoje é de morte o poema.
Não direi já do desejo azul lírico de fuga
pois todas as mãos erguidas se baixaram e
[depuseram as armas.
Quem um dia disse que tudo vale a pena
errou tão grandemente como o que disser
[que nada vale a pena.
A verdade é que não vale a pena.
Dizer tudo ou dizer nada é um excessivo e
[inútil esforço.
Hoje o poema é de morte, de abandono e nem
[sequer já de mãos crispadas.
E não direi do choro, já não direi do choro,
mas do sorriso branco da desesperança.
Não há mais cais, nem barcos, nem gares
[donde se sonhem idas, porque é inútil ir.
Sei, sei hoje muitas coisas porque é de morte
[o poema
sei que o suicídio é um acto enorme de iló-
[gica esperança
como a fuga ou o ódio ou o amor
sei que o suicídio é um logro e que a verdade
está na rendição ou na quotidiana morte
que me faço.
Não direi hoje das portas que me trancam
ou dos braços que me sufocam e por estra-
nho que pareça as paredes são-me gratas
e irmãs.
Só elas, as paredes brancas, conhecem o ver-
dadeiro desespero porque são irremedià-
velmente brancas e quietas.
O que dói é saber que seria igualmente
[amargo o oitavo continente.

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Maria do Céu Guerra é uma actriz e encenadora portuguesa, nascida em Lisboa, a 26 de Maio de 1943).
É ao frequentar o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa que se começa a interessar por teatro, fazendo parte do Grupo Cénico e dando início à sua actividade em 1963, com a sua estreia na peça Assembleia ou Partida de Correia Garção, encenada por Claude-Henri Frèches. Pouco tempo depois, integra o grupo fundador da Casa da Comédia , onde participa em várias produções. Em 1965, participa na fundação do Teatro Experimental de Cascais, onde se profissionaliza e interpreta várias peças.
No início da década de 70, passa pelo Teatro de Revista e pela comédia, como a revista Alto Lá Com Elas (1970), de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha. Destaca-se nesta época a sua actuação na resista O Zé Faz Tudo! , no Teatro Variedades. Em 1974, fez parte do grupo fundador da companhia Teatro Ádóque e participa na revista Pides na Grelha (1974), de Francisco Nicholson, Gonçalves Preto e Mário Alberto.
Estreia em 1975, juntamente com o cenógrafo Mário Alberto, a companhia de teatro A Barraca , que teve A Cidade Dourada a estrear em Março do ano seguinte. Esta encenação viria a encetar uma lista de mais de 70 produções em que, para além de actriz, Maria do Céu Guerra vai desempenhando outras funções como Figurinista, direcção, concepção de guarda-roupa, cenografia, produção e, com maior preponderância, encenadora.
No cinema, a sua carreira iniciou-se com a locução em Crónica do Esforço Perdido , de António de Macedo em 1966, mas a sua estreia como actriz cinematográfica deu-se no premiado O Mal-Amado de Fernando Matos Silva, em 1973. Da sua lista de participações no grande ecrã podemos destacar filmes como A Santa Aliança (1978) de Eduardo Geada, Lisboa Cultural (1983) de Manoel de Oliveira, Crónica dos Bons Malandros (1984) de Fernando Lopes, A Estrela (1994) de Frederico Corado e, mais recentemente, Os Gatos não Têm Vertigens (2014) de António-Pedro Vasconcelos, que lhe valeu o Prémio Sophia na categoria de Melhor Actriz em 2015 e um Globo de Ouro, na Categoria de Melhor Actriz em Cinema .

No pequeno ecrã, destacam-se trabalhos como as séries televisivas Mau Tempo no Canal (1989) ou Velhos Amigos (2011), para além de vários telefilmes e teatro televisivo. Integra pela primeira vez uma novela em 2014, quando entra em Jardins Proibidos , seguindo-se A Impostora em 2016 e mais recentemente Festa é Festa .
Em 2021 foi agraciada com o Prémio Sophia de Carreira, durante a cerimónia dos Sophia 2021, no dia 19 de Setembro, no Casino Estoril, sendo também condecorada por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, com as insígnias de Comendador da Ordem Militar de Sant Iago da Espada.

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