"Sol de Inverno" seguido de Vinte Poesias Inéditas de António Feijó - Edição de 1981


Especificações


Descrição

"Sol de Inverno"
seguido de Vinte Poesias Inéditas
de António Feijó

Introdução, Biobibliografia e Notas de Álvaro Manuel Machado

Edição de 1981
INCN - Imprensa Nacional Casa da Moeda
Coleção Biblioteca de Autores Portuguesas
154 Páginas

EU E TU

Dois! Eu e Tu, num ser indispensável! Como
Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo, em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia.

Como a onda e o vento, a Lua e a noite, o orvalho e a selva
O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noite,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva
Cheio de ti, meu ser de eflúvios impregnou-te!

Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
Nós dois, de amor enchendo a noite do degredo,

Como partes dum todo, em amplexos supremos
Fundindo os corações no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama...

*
A valorização actual da obra um tanto esquecida de António Feijó no seu conjunto e em especial de Sol de Inverno começa pela constatação da suaexemplaridade lírica. Na confluência das tendências da poesia portuguesa em fins do século XIX que está um António Feijó ainda hoje historicamente importante e, pela exemplaridade do seu lirismo, inesperadamente actual.

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António de Castro Feijó (Ponte de Lima, 1 de junho de 1859 - Estocolmo, 20 de junho de 1917) foi um poeta e diplomata português. Como poeta, António Feijó é habitualmente ligado ao Parnasianismo e o final da sua obra tende a um certo tom fúnebre.
Fez os estudos liceais em Braga, de onde partiu, em 1877 para Coimbra, onde concluiu o curso de Direito em 1883. Dirigiu, juntamente com Luís de Magalhães, a Revista Científica e Literária publicada nos seus tempos de estudantes académicos da Universidade de Coimbra.
Em 1886 ingressou na carreira diplomática.
Exerceu cargos diplomáticos no Brasil (consulados nos estados de Pernambuco e do Rio Grande do Sul) e, a partir de 1895, na Suécia, assim como na Noruega e na Dinamarca.
Desposou em 24 de setembro de 1900 a sueca Maria Luísa Carmen Mercedes Joana Lewin (nascida em 19 de agosto de 1878), cuja morte prematura, em 21 de setembro de 1915, o viria a influenciar numa temática fúnebre, patente na sua obra.

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