"TENTATIVA DE INTERPRETAÇÃO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL" de António Sérgio - 1ª Edição de 1962 - Prefácio de José Tengarrinha


Especificações


Descrição

"TENTATIVA DE INTERPRETAÇÃO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL"
de António Sérgio

1ª Edição de 1962
Edições Tempo - Lisboa
Coleção Tempo de Ensaio Nº 6
A Série Tempo de Ensaio é dirigida por José Tengarrinha
40 Páginas

Este ensaio curto, de aproximadamente 40 páginas, é uma síntese do pensamento crítico do autor sobre os rumos do país. Diferente da historiografia tradicional, Sérgio não se foca apenas em factos, mas na interpretação sociológica e económica dos mesmos.

António Sérgio analisa Portugal através do conflito entre o "interior agrícola" (pobre e isolado) e o "litoral comercial" (aberto ao mundo, mas muitas vezes parasitário).
O autor defende que a decadência nacional se deveu ao abandono da produção interna em favor de um sistema de transporte e comércio externo (o "Estado-transportador"), o que gerou uma mentalidade de consumo sem produção.
Para Sérgio, a história deve ser uma ferramenta de reforma das mentalidades. Ele via o estudo do passado como um meio para construir um cidadão mais crítico e consciente.

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António Sérgio
(n.1883/09/03 m.1969/01/24)

Foi dos pensadores mais marcantes do Portugal contemporâneo, com uma vasta obra que se estende da teoria do conhecimento, à filosofia política e à filosofia da educação, passando pela filosofia da história. Escritor, pensador e pedagogo português, nascido em Damão (1883/09/03), Índia, a sua vida foi dedicada à reforma educacional em Portugal. Filho de um almirante, em virtude de este ter sido Governador do Congo Português, passou a sua meninice em África, e só depois veio radicar-se em Lisboa (1893). Foi para a Escola Naval, mas deixou a Marinha pouco depois de publicar Notas sobre os sonetos e as tendências de Antero de Quental (1908). As suas actividades políticas cedo começaram a surgir, revelando-o um democrata convicto.

Autor assistemático e um dos mestres do polemismo português, permaneceu no entanto sempre fiel a uma via que rotulou de idealismo racionalista e crítico. Sobre as razões do polemismo, entendeu-o sobretudo como uma via de combate no panorama das ideias do seu tempo. Sob o ponto de vista dos conteúdos doutrinários, Sérgio encontrou a filosofia a partir de sua formação de engenheiro, ou seja, a partir da geometria analítica e da física matemática. Não era apenas de filosofia da ciência que se tratava, tratava-se fundamentalmente de uma filosofia com profundas implicações humanas e sociais, regendo o comportamento e a acção de cada um no todo social de que faz parte. Daí uma doutrina cooperativista a nível da economia; uma doutrina democrática a nível da organização política da sociedade; uma filosofia da educação e uma concepção da pedagogia que encara a criança e o jovem como seres activos e criadores; assim, finalmente, uma teoria da cultura e uma teoria da história que o lançou em polémicas célebres sobre os rumos de Portugal.

Defendeu que é no indivíduo, em cada indivíduo, que a unidade da consciência se manifesta: «caminhe-se para a liberdade através da liberdade»! Neste contexto formulou a sua doutrina sobre o socialismo cooperativista, surgindo-lhe o cooperativismo como a forma de organização social mais consentânea com a sua concepção do homem como ser activo e criador. Com a proclamação da República (1910/10/05), passou a trabalhar a favor da reforma da educação no nosso país. Assim, foi um dos fundadores do movimento denominado Renascença Portuguesa, fundamentalmente voltado para as questões educacionais. Criou e dirigiu também várias revistas e jornais que tratavam do assunto, como a revista Pela Grei (1918). Titular da pasta de Instrução Pública (1923), no ministério reformista de Álvaro de Castro. Com a ascensão de Salazar ao poder, foi obrigado a exilar-se em Paris., depois em Madrid, de onde regressou a Portugal depois de ter sido abrangido por uma amnistia.

Morreu em Lisboa a 24 de Janeiro de 1969.

Dos seus livros mais importantes destacam-se: Educação cívica (1915) e os oito volumes de Ensaios (1920 a 1958).

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