Carta a Lord Douglas escrita na prisão de Reading - Oscar Wilde


Especificações


Descrição

Edição Estúdios Cor, 1972
Colecção Mocho, Nº 6
Brochado, 254 p. ; 19 cm
Tradução Maria Célia Coutinho

Foi na prisão de Reading, numa cela no bloco C, que o escritor, poeta e dramaturgo irlandês Oscar Wilde ficou isolado durante dois anos, a partir de 1895, após ser preso acusado de "indecência" com um homem.

Foi um pesadelo que contrastava com o sucesso por si conquistado com aclamadas obras literárias e teatrais como O Retrato de Dorian Gray (1890) e A Importância De Ser Prudente (1895).

Foi aí que, nos meses anteriores à sua libertação de 1897, Wilde escreveu o que viria a ser considerada uma das mais importantes cartas da língua inglesa, endereçada ao seu amante e traidor, o lorde Alfred 'Bosie" Douglas: De Profundis.

Em De Profundis, ele descreve "a cama de tábua, a comida repugnante, as duras cordas esfrangalhadas em estopa até as pontas dos dedos ficarem adormecidas de dor... o silêncio, a solidão, a vergonha - cada uma e todas dessas coisas eu tenho de transformar numa experiência espiritual".

As circunstâncias da criação da carta são certamente extraordinárias. Wilde estava a definhar sob as duras condições e isolamento extremos da sua sentença - os presos não tinham permissão para ter contato uns com os outros, nem mesmo durante o serviço religioso.

No entanto, o Major Nelson, novo diretor da prisão, adotou um tom mais compassivo e permitiu que Wilde tivesse acesso diariamente a papel e caneta para escrever uma carta para "fins medicinais". Os presos eram proibidos de escrever peças, romances e ensaios, mas tinham a permissão para escrever cartas.

Durante o regime anterior, Wilde tinha escrito para procuradores e para o Escritório do Interior, ou, em limitadas quantidades, para amigos. Mas suas cartas eram inspecionadas e os materiais para escrita eram confiscados assim que ele terminava de escrever", disse Tóibín.

No entanto, o regulamento não especificava quão longa uma carta deveria ser. E se uma carta não tivesse sido terminada, o prisioneiro poderia receber a permissão para levá-la consigo quando deixasse a prisão.

Wilde escreveu de maneira fervorosa durante os três primeiros meses de 1897, passando de mágoas ardentes e acusações amargas contra o seu amante - "É claro que eu deveria ter me livrado de ti" - a um tom surpreendentemente espiritual.

O fato de a carta não ter sido, na teoria, terminada, fazia com que ela fosse devolvida a Wilde nos dias seguintes, e as suas 20 páginas, com cerca de 55 mil palavras, foram entregues ao escritor quando ele foi finalmente solto.

Livre, porém debilitado, Wilde não entregou a carta a Bosie, a quem o documento se dirigia, e sim ao seu amigo e ex-amante, o jornalista Robert Ross. Bosie diria mais tarde que destruiu a sua cópia sem ler.

Ross supervisionou a publicação do material, lançado em 1905 - cinco anos depois da morte de Wilde, aos 46 anos -, e deu o nome de De Profundis, buscando inspiração no Salmo 130.

A primeira publicação foi bastante resumida, excluindo todas as menções a Bosie e à sua família.

Uma versão sem censura de De Profundis foi só finalmente publicada em 1962, quase duas décadas depois da morte de Bosie.

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