Devo a mim próprio a memória da minha vida - FERNANDO PITEIRA SANTOS
Preço: 4 €Devo a mim próprio a memória da minha vida - FERNANDO PITEIRA SANTOS
Especificações
- TipoVenda
- ConcelhoAlmada
- FreguesiaCosta da Caparica
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- Id do anunciante116259
Descrição
Categoria: Literatura Nacional - Livros , Sugestões de Leitura - Livros
Devo a mim próprio a memória da minha vida FERNANDO PITEIRA SANTOS Campo da Comunicação ZZ1/ZZ2+YA1 COORDENADORA Maria Antónia Fiadeiro FERNANDO PITEIRA SANTOS 1918-1992 Não sei se a Vila de Peniche tem qualquer interesse ou qualquer beleza. Mas em dias de sol e de certos pontos da cerca fortificada o panorama é largo e surpreendente. Vê-se a costa atlântica até bastante longe e a areia fulva alterna com os pinhais, à direita e à esquerda da Vila vetusta. Pelo ocidente o mar azul, muito, aperta-nos de encontro a esta velha e dividida Europa, dá-nos a ideia do ilimitado e um limite necessário e irremediável aos olhares e à ansiedade. Minha Amiga Agradecia-te que trouxesses de minha casa as Cartas de Antero que deixei sobre a secretária porque não são minhas e adiantava trabalho para o livro. Também preciso de um pacote de lâminas gillette azul. Ainda tens dinheiro? Meu querido Padrinho Recebi hoje a tua carta. Li-a, reli-a, tornei a ler. Não te sei dizer quantas vezes ainda a lerei mas posso-te afirmar que muitas. Querida Stella Nesta luminosa tarde de Setembro, sem melancolia, sem despeito, recordei aqueles versos do Diário de Miguel Torga: Como a tarde sem mim tem alegria Como o sol vai contente sem me ver Querido Fernando Procuro resolver as dificuldades, repara que não digo problemas que surgem pelo facto de tu não estares presente, e nem sempre consigo. Ao ministro dos Negócios Estrangeiros Alberto Franco Nogueira Penso na distância entre a política sem futuro em relação a África de que é solidário e o estímulo das palavras que dedicou à contribuição do Castro Soromenho para uma literatura negra verdadeira . Pergunto-me se ao chegar a sua casa depois de um dia de inglório trabalho nas Necessidades será capaz de reler os poemas do Manuel da Fonseca ou do José Gomes Ferreira? Pergunto-me se ainda lhe é consentido admirar um Casais Monteiro ou um Miguel Torga? Pergunto-me se as páginas de Uma Abelha na Chuva ou os versos da Terra de Harmonia não terão para si hoje um acre e estranho sabor? Pergunto-me se do mistério das suas cores quentes, do traço exacto e forte, as camponesas de Pavia não o olham com um desolado espanto? ANO DE EDIÇÃO: 2013 NÚMERO PÁGINAS: 156 FORMATO: 15,5 X 22,5 cm ISBN: 978-989-8465-11-5 SINOPSE Ler estas cartas, de Fernando Piteira Santos, no seu conjunto, é escutar uma época histórica portuguesa o período salazarista que durou 48 anos, quando falar de muitas coisas da vida quotidiana,- e a vida é diária -, era censurado, penalizado, proibido. Mesmo dentro das famílias, onde, em vez de espaços de convivência abertos, protegidos, geradores de generosidades e alegrias, eram, na realidade, ou espaços submetidos, fechados ou então de conspiração, desconfiança, rivalidades e autoridades várias. Eram espaços de medo de quase tudo. Foi um tempo insidioso e obscuro. Arrastado, convulso. Era um país fechado. ´Já não é? São cartas manuscritas inéditas onde se contam e se reflectem assuntos, relacionados com a vida de um pequeno agregado familiar que abrangem períodos de prisão, clandestinidade e exílio,quando a ditadura imperava em todo o país ostensivamente, abusivamente e em todos os lares sub-repticiamente. Maria Antónia Fiadeiro Licenciada em Filosofia (FFCL/USP São Paulo/Brasil/1972 ; Mestre em Estudos sob
*** Importação em 1 Mar 2026 09:00 ***
Devo a mim próprio a memória da minha vida FERNANDO PITEIRA SANTOS Campo da Comunicação ZZ1/ZZ2+YA1 COORDENADORA Maria Antónia Fiadeiro FERNANDO PITEIRA SANTOS 1918-1992 Não sei se a Vila de Peniche tem qualquer interesse ou qualquer beleza. Mas em dias de sol e de certos pontos da cerca fortificada o panorama é largo e surpreendente. Vê-se a costa atlântica até bastante longe e a areia fulva alterna com os pinhais, à direita e à esquerda da Vila vetusta. Pelo ocidente o mar azul, muito, aperta-nos de encontro a esta velha e dividida Europa, dá-nos a ideia do ilimitado e um limite necessário e irremediável aos olhares e à ansiedade. Minha Amiga Agradecia-te que trouxesses de minha casa as Cartas de Antero que deixei sobre a secretária porque não são minhas e adiantava trabalho para o livro. Também preciso de um pacote de lâminas gillette azul. Ainda tens dinheiro? Meu querido Padrinho Recebi hoje a tua carta. Li-a, reli-a, tornei a ler. Não te sei dizer quantas vezes ainda a lerei mas posso-te afirmar que muitas. Querida Stella Nesta luminosa tarde de Setembro, sem melancolia, sem despeito, recordei aqueles versos do Diário de Miguel Torga: Como a tarde sem mim tem alegria Como o sol vai contente sem me ver Querido Fernando Procuro resolver as dificuldades, repara que não digo problemas que surgem pelo facto de tu não estares presente, e nem sempre consigo. Ao ministro dos Negócios Estrangeiros Alberto Franco Nogueira Penso na distância entre a política sem futuro em relação a África de que é solidário e o estímulo das palavras que dedicou à contribuição do Castro Soromenho para uma literatura negra verdadeira . Pergunto-me se ao chegar a sua casa depois de um dia de inglório trabalho nas Necessidades será capaz de reler os poemas do Manuel da Fonseca ou do José Gomes Ferreira? Pergunto-me se ainda lhe é consentido admirar um Casais Monteiro ou um Miguel Torga? Pergunto-me se as páginas de Uma Abelha na Chuva ou os versos da Terra de Harmonia não terão para si hoje um acre e estranho sabor? Pergunto-me se do mistério das suas cores quentes, do traço exacto e forte, as camponesas de Pavia não o olham com um desolado espanto? ANO DE EDIÇÃO: 2013 NÚMERO PÁGINAS: 156 FORMATO: 15,5 X 22,5 cm ISBN: 978-989-8465-11-5 SINOPSE Ler estas cartas, de Fernando Piteira Santos, no seu conjunto, é escutar uma época histórica portuguesa o período salazarista que durou 48 anos, quando falar de muitas coisas da vida quotidiana,- e a vida é diária -, era censurado, penalizado, proibido. Mesmo dentro das famílias, onde, em vez de espaços de convivência abertos, protegidos, geradores de generosidades e alegrias, eram, na realidade, ou espaços submetidos, fechados ou então de conspiração, desconfiança, rivalidades e autoridades várias. Eram espaços de medo de quase tudo. Foi um tempo insidioso e obscuro. Arrastado, convulso. Era um país fechado. ´Já não é? São cartas manuscritas inéditas onde se contam e se reflectem assuntos, relacionados com a vida de um pequeno agregado familiar que abrangem períodos de prisão, clandestinidade e exílio,quando a ditadura imperava em todo o país ostensivamente, abusivamente e em todos os lares sub-repticiamente. Maria Antónia Fiadeiro Licenciada em Filosofia (FFCL/USP São Paulo/Brasil/1972 ; Mestre em Estudos sob
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